NOTA DE REPÚDIO À PEDRIBEIRO

Como eu posso fazer uma nota de repúdio a uma pediatra sendo que eu sou adulto e não tenho filho, hein?
No último jogo eu vi uma garota igual a ela. Quer dizer, a garota era bem mais nova e estava com a família vendo o jogo, mas tinha aquela mesma beleza alva, interiorana, de óculos.
Era como se fosse ela mais nova — e um pouco menos caipira, digamos assim.
O repúdio, portanto, não é à profissional nem ao CNPJ, mas ao CPF da doutora, que em mais de dez anos jamais usou o espaço do meu contato para dar sinal de vida.
Como se a existência dessa conta não tivesse sido, originalmente, por causa dela.
Mas, como tudo que é grande, a coisa ultrapassou a própria causa da sua existência.
Nos rumos atuais que ela tomou, outra alguém, mesmo sem ter a isenção de compromisso que ela tem, faz questão de retribuir — à maneira dela — o tempo intelectual e o investimento sentimental que dedico ao escrever algumas palavras a quem homenageio em meus textos. Agora, com ela foi um investimento que não pagou dividendos e, pelo contrário, afetivamente, trouxe-me muito prejuízo.
Vocês sabem: eu tenho minhas predileções, meus medos, minhas fantasias, sonhos, etc.
Mas não tenho a ilusão de que só seria feliz ao realizá-los ou concretizá-los.
Aliás, essa é justamente a diferença entre fetiche, loucura, obsessão — e o que de fato sinto.
Nessas últimas categorias, o desejo só existiria se puder ser realizado.
No meu caso, minha felicidade existencial independe das coisas que apenas imagino.
Portanto, tratam-se apenas de fantasias, sonhos — chamem como quiserem. O prazer, para ser prazer, precisa ser consensual. E o mais alto grau de prazer é o amor.
Retribuam meu carinho como puderem.
De mim, vocês terão sempre o que quiserem.