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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

FALTA MUITO POUCO PRA EU APRENDER A VIVER

 


 


 

APRENDENDO DEVAGARINHO

“Vivendo e não aprendendo”, já dizia a música do Ira!. E já dou aqui a tônica deste texto: ele será cheio de citações.

 

No entanto, eu vivo — e vou aprendendo devagarinho.

 

Não dá para dizer que sou uma pessoa classicamente boa, no sentido cristão ou kantiano. Ou, como se diz: Deus é bom o tempo todo e, a todo tempo, Ele é bom. Mas, além dele, quem o é?

 

Eu não. Eu tenho episódios de bondade. Ou sou, talvez, caoticamente bom.

 


 

OS BONS DE TALENTO

Ou bom, para falar como Nietzsche — e aqui começo as citações que prometi, para desespero das minhas “inimiga”.

 

Como vocês sabem, faz seis anos que estou no Recanto, e há seis anos repito basicamente as mesmas coisas e as mesmas piadas, apenas com entonações diferentes.

 

Nietzsche dizia que existem os bons de bondade e os bons de talento. Cronologicamente, primeiro vieram os bons de talento. Os outros, incapazes de competir com eles, acabaram subjugados e tiveram que internalizar seus instintos. A isso passaram a chamar de “bondade”.

 

Daí surge a diferença entre o bom de talento e o bom de bondade. E também entre o bom e o mau.

 

Tudo em oposição ao homem de talento. Pois, se ele subjugou aquele que não tem talento — mas é bondoso —, ele só pode parecer mau aos olhos desse último.

 

Assim, segundo Nietzsche, nasce a moral.

 

Veja: nenhum professor vai explicar isso exatamente da forma que expliquei. Você pode assistir mil vídeos no YouTube. Viu?

 


 

UM CORPO APAIXONADO

Por isso digo que posso ter virtude, mas não necessariamente bondade moral constante. Às vezes faço coisas ruins, até contra minha vontade consciente e racional.

 

 

Afinal, como dizia Nelson Rodrigues, a razão é tão rara e dolorida quanto uma ascese em busca da santidade.

 

Também não sou bom o tempo todo porque meu corpo é um corpo apaixonado, no sentido espinosano: sujeito aos afetos do mundo — positivos e negativos.

 

Só Deus, estando fora do mundo, teria um corpo desapaixonado.

 

Quando nosso corpo sofre afetos negativos, nossa energia vital oscila: sentimos tristeza, dor, angústia — às vezes até um prazer localizado.

 

Quando os afetos são positivos e aumentam nossa energia, chamamos isso de alegria, amor, contentamento — o prazer espalhado pelo corpo todo.

 

Portanto, a oscilação desses afetos faz oscilar também a minha bondade. É o fato de estar sujeito ao apaixonamento do mundo.

 


 

A ÚNICA VIDA POSSÍVEL

Mas a sabedoria, a vivência dos anos e o conhecimento lento e contínuo de mim mesmo e do mundo fazem com que eu entenda cada vez melhor o que me faz bem e o que me faz mal.

 

Essa é a minha busca de aperfeiçoamento.

 

Não em vidas futuras ou em outro mundo — respeitando a crença de quem acredita nisso —, mas nesta vida aqui mesmo, que é a única cuja existência posso comprovar.

 


 

IRONIAS FINAIS

Para terminar com o tom lúdico e bem-humorado que também é minha marca, lembro Groucho Marx e Machado de Assis.

 

Groucho — o único Marx de quem gosto cem por cento — dizia que jamais aceitaria ser sócio de um clube que o aceitasse como sócio.

 

Eu só discordo parcialmente, porque continuo sócio-torcedor do Palmeiras e não abro mão disso, apesar dos dissabores — como ter que ir para Barueri em boa parte deste começo de ano.

 

E Machado de Assis — que, além de ser o maior escritor brasileiro do século XIX, talvez de todos os tempos, fundou a Academia Brasileira de Letras — tinha uma diretriz curiosa para escolher seus membros: dois grandes talentos literários e um sujeito com dinheiro para pagar a premiação.

 

Então, se você olhar a lista da Academia Brasileira de Letras e encontrar algum político ou figurão cuja presença você não entende muito bem… eis o motivo.

 

Mas aqui eu discordo de Machado.

 

Uma pessoa pode ser bonita por fora, ter um corpo bonito, um bolso igualmente volumoso — mas o brilho interior é uma qualidade que jamais se apaga.

 

E esse brilho ilumina até a noite, ao menos aos meus olhos.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 06/03/2026
Alterado em 06/03/2026
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