DUAS COISAS QUE VOCÊ NÃO CONSEGUE ESCONDER (POR MAIS QUE TENTE)

Você pode até tentar encobrir, mas a realidade do seu corpo revela a verdade. Assim como a qualidade dos seus pensamentos evidencia sua intelectualidade, mesmo você tentando ocultá-la. Portanto, corpo e intelectualidade não se fingem.
O corpo de uma pessoa demonstra, mais eloquentemente do que palavras, sua rotina, seu passado e até seu futuro. O nível de gordura corporal é um indicador valiosíssimo para revelar valores. Você pode tentar encobrir com uma camisa maior, mas, ao despir-se, a realidade se impõe.
Exames minuciosos mostram a qualidade (ou decadência) do seu corpo: revelam se ele é saudável ou se sofre de doenças crônicas — hipertensão, diabetes — sinais de um tipo de vida desadaptativo.
A GORDURA DO PENSAMENTO
Com o cérebro, a verdade se impõe de maneira ainda mais abissal. Palavras difíceis e pernósticas, citações de autores esparsos e desconexos para emular uma pseudoerudição em um parágrafo que nada explica são a gordura do pensamento — ou melhor, a camiseta usada por cima para esconder essa gordura.
É o falso pensamento. Falsa erudição. Falsa intelectualidade.
E, assim como doenças crônicas do corpo, não resistem a um exame detalhado.
É por isso que muitos escondem tanto sua face, seu corpo. Mas, pela falta de qualidade do pensamento, já temos uma imagem do corpo doentio que produz aquele antipensamento.
Nietzsche revelou como Sócrates era feio; numa sociedade que valorizava corpo e beleza como a Grécia antiga, viu nisso evidência da decadência tanto do pensamento socrático quanto da própria sociedade grega.
Por isso Sócrates, pela sua feiura, sua "malvadez de raquítico", em vez de competir com os sofistas pela beleza do discurso, ou como os grandes dramaturgos e comediantes — Ésquilo, Sófocles, Aristófanes — através da arte, usava a dialética, que no código penal é apenas direito de defesa de criminosos.
Sócrates, sedentário, maltrapilho, feio, índice corporal possivelmente acima de 25, barriga maior que o cérebro, torna-se símbolo derradeiro de que corpo e intelectualidade são indícios de uma ética e moral difíceis de esconder. Da negligência. Da falta de amor à vida.
Por isso, de bom grado, bebeu a cicuta.
Se a moda pegasse e todos seguissem o conselho de Sócrates — os descontentes com a própria vida, corpo e erudição — não restaria muita gente no mundo.
O corpo desse foragido é só coincidência retórica.
