Depois de um exame minucioso do perfil de um “inscritô” do recanto — cuja foto exibia um simpático chimpanzé — e de uma análise igualmente minuciosa de dados (isto é, uma dessas listas nebulosas que circulam pelo mercado informal e costumam servir mais a estelionatários do que à ciência), cheguei a uma descoberta incontestável.
As provas, por razões óbvias, permanecerão sob minha guarda e foram apresentadas apenas aos órgãos competentes. Contudo, o leitor atento poderá chegar à mesma conclusão observando certos indícios objetivos: a coincidência das idades, a peculiaridade sintática, a opacidade quase militante do discurso e aquela inconfundível dificuldade em estabelecer nexo causal entre frases consecutivas.
Tudo aponta para uma única hipótese plausível: tratar-se-ia do próprio filho de Bolsonaro, conhecido como Carluxo — figura central do chamado “gabinete do ódio” e carinhosamente apelidado, por sua particular visão sui generis da realidade, de Tonhão da Lua.
Permanece, entretanto, o mistério fundamental: o que teria levado Carlos Bolsonaro a criar uma conta no Recanto das Letras sob o avatar de um personagem de Planeta dos Macacos — escolha, aliás, esteticamente coerente com certas afinidades discursivas observáveis entre primatas ficcionais e debates políticos contemporâneos?
Talvez ele acredite que aqui realmente habitem aqueles que costuma denominar, em seus neologismos peculiares, de “esquerdofálicos” — termo geralmente atribuído a qualquer pessoa que ouse divergir dele em tamanho de argumento e, inevitavelmente, também em tamanho de falo, cuja inclinação, segundo sua minuciosa observação, penderia para o lado esquerdo, e não para o direito, como sua própria fantasia parece sugerir.
Mistérios da linguagem. E da evolução.
