POR QUE HÁ TANTOS OBESOS NOS ESTADOS UNIDOS?

O Walmart é parada obrigatória para turistas brasileiros que desejam comprar itens licenciados da Disney, produtos “de mercado” ou guloseimas com peculiaridades anglo-saxônicas. Sabores excêntricos, elaborados talvez por cientistas ou designers alimentares formados em Harvard ou no MIT — ou simplesmente por um imigrante porto-riquenho genial no marketing.
A variedade é opulenta. O tamanho dos pacotes, desproporcional. Do nível da barriga média americana.
Lindt, sorvete Ben & Jerry’s — que aqui são iguarias raras e caras — lá equivalem ao nosso Milkbar. Um pote que aqui custa sessenta reais, lá custa cinco dólares. Com um dólar, compra-se quase mil calorias artificiais.
Engordar é fácil. Basta deixar-se levar.
Emagrecer — e ainda mais, emagrecer de forma saudável — exige inteligência, consciência e, muitas vezes, dinheiro.
Não direi que as pessoas escolhem ser obesas. Mas é inegável que são conduzidas pela facilidade de se tornarem assim e pela dificuldade brutal de mudar.
No documentário Muito Além do Peso, vemos uma criança de quatro anos com diabetes e hipertensão — condições mais graves do que as de muitos adultos viciados em substâncias ilícitas há anos. O problema é que o hipercalórico está distribuído em prateleiras coloridas de supermercado.
É por isso que nutrição deveria ser ensinada no ensino básico. Sem informação, é impossível prevenir as doenças crônicas associadas à obesidade. É impossível competir com a indústria dos “produtos alimentícios” — que, ironicamente, são o oposto de alimento.
Quem trabalha muito sente fome. O tempo é escasso. É mais fácil pedir algo do que cozinhar.
Quem tem dinheiro pode escolher o melhor que ele compra — ou simplesmente escolher o que é mais prático. Se você está viajando, quer gastar dólares com novidades norte-americanas. Skittles de cinnamon, chocolate do Mr. Beast, sabores que parecem mais engenharia do que culinária.
Curiosamente, quem tem dieta equilibrada, consciência nutricional e treina com constância é justamente quem menos se dispõe a consumir esses produtos com frequência. Não por moralismo — mas porque sabe que a conta calórica do dia precisa fechar.
A obesidade não é apenas excesso de comida. É excesso de facilidade.
É o triunfo da indústria sobre o instinto.
E talvez a pergunta não seja apenas por que há tantos obesos nos Estados Unidos — mas como competir com um sistema que torna o vício mais barato do que a disciplina.
Há tantas outras coisas boas na cultura norte-americana para aproveitar além do chocolate e dos sabores artificiais. No momento, não consigo lembrar de nenhuma — mas prometo atualizar quando lembrar.