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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

ESSE MANDAMENTO É IMPOSSÍVEL DE CUMPRIR

 



 

O DESEJO NÃO É RACIONAL

Não cobiçar a mulher do próximo talvez seja o mandamento mais difícil — talvez até impossível. Porque, muitas vezes, o desejo surge antes mesmo de sabermos a quem pertence aquilo que desejamos.

 

O mandamento parece pressupor que o amor seja racional. Mas não é.

 

Posso escolher não agir. Posso escolher não ultrapassar limites. Posso escolher não me relacionar com a mulher do próximo. Mas não posso escolher não desejar, não sentir, não ser atravessado por um afeto que simplesmente aparece.

 


 

PERTENCIMENTO E LIBERDADE INTERIOR

Ainda que alguém seja casada ou comprometida, isso não a transforma em propriedade. Significa apenas que ela escolheu um vínculo.

 

Às vezes, essa mulher do próximo é próxima mesmo — física e existencialmente. Pode haver um reconhecimento mútuo, difícil de nomear. Um olhar que entende. Um silêncio que comunica.

 

Talvez, no íntimo, haja reciprocidade. Talvez ela também perceba algo — uma afinidade, uma tensão sutil, um pensamento que jamais se transformará em gesto.

 

Pode até imaginar que, em outra circunstância, permitiria aquele amor existir plenamente. E ainda assim permanecer fiel às escolhas que fez.

 


 

O LIMITE COMO DIGNIDADE

Poderíamos sair juntos — num cenário hipotético — e, mesmo que houvesse desejo no ar, haveria também alegria, companhia, conforto raro.

 

Conversas longas. Silêncios tranquilos. A leve tristeza antecipada da despedida.

 

No fim da noite, depois de um bolo gelado de prestígio e uma fatia de brigadeiro, água gelada ou refrigerante zero — porque não bebemos e buscamos saúde — cada um seguiria seu caminho.

 

Um abraço apertado. Um beijo na bochecha.

 

E dentro do peito, a fidelidade — não apenas ao outro, mas a si mesmo.

 


 

O VERDADEIRO CUMPRIMENTO DO MANDAMENTO

Talvez cumprir o mandamento não seja eliminar o desejo — mas assumir responsabilidade por ele.

 

Não é a ausência da cobiça que prova caráter. É o que se faz — ou deixa de fazer — diante dela.

 

Como quem escreve um texto sem esperar nada em troca, apenas que alguém leia e guarde algo dentro de si.

 

Uma reciprocidade invisível.

 

Um entendimento mútuo entre aqueles que seguem não apenas leis divinas, mas também aquilo que o coração reconhece sem precisar dizer palavra alguma.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 22/02/2026
Alterado em 22/02/2026
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