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É muito difícil fazer o que faço — seja lá o que for. Embora eu não saiba exatamente o que é, a prova incontestável é simples: se fosse fácil fazer o que faço, todo mundo estaria fazendo.
Por exemplo: reduzir, em três meses, de mais de 22% de gordura corporal para a faixa de 11%.


Como se sabe, as pessoas — especialmente as mulheres — mesmo que não saibam explicar racionalmente, valorizam intuitivamente esse tipo de transformação mais do que alguém que simplesmente ganha músculo.
Porque reduzir gordura comunica concessão, disciplina, rotina, saúde. O cérebro percebe isso.
Em termos de atração — inclusive sexual — a faixa entre 10% e 13% é a mais valorizada. Abaixo disso é difícil de sustentar e tende a parecer pouco saudável. Acima disso não chama tanto a atenção. Entre 10% e 13% é o ponto considerado atlético, sexy, funcional.
E eu consegui isso em três meses.
Não foi força de vontade. Foi inteligência.
Emagrecer não é moralidade — é cálculo. É técnica. É método.
Só consegui quando entendi quantas calorias consumo, quanto gasto, qual o equilíbrio ideal, qual dieta oferece o melhor balanço nutricional. Para isso, estudei. Tracei um plano. E sigo o plano.
Quando fujo, é exceção.
Enquanto a maioria mostra 10% da própria rotina — felicidade filtrada, viagem, pose — eu mostro os 90%: a comida do dia a dia, o que consumo física e culturalmente, os livros, os filmes, a repetição.
Hierarquia existe.
Alguém pode ter um milhão de seguidores ou na conta corrente. Isso não equivale ao conteúdo que eu produzo no Recanto das Letras ou aos recortes cinematográficos que compartilho.
É muito mais fácil trabalhar do que fazer o que faço. Trabalhar, milhões trabalham.
Mas a maioria segue tendências por osmose. O reflexo está na aparência e no repertório.
Resultado: sobrepeso, inclusive no carnaval — mesmo vestidos como se estivessem com “tudo em cima”. Além do sobrepeso, falta senso estético.
E ainda assim julgam.
Alguns julgamentos são objetivos — a vida e a obra falam por si. Outros são subjetivos: critérios herdados socialmente, nunca examinados, universalizados por inércia.
Eu também julgo. Como todo ser humano que, como disse Nietzsche, é um valorador por natureza.
Mas valor não precisa ser demonstrado — ele se impõe.
O critério que julga uma vida é a própria vida. Nunca fora dela.
Como diz Sartre, quando escolho minha vida, não escolho só por mim — escolho a vida que considero ideal.
Enquanto o caminho da maioria é previsível e conduz aos resultados que vemos, posso não segui-lo.
Ao escolher meu caminho, outros podem se influenciar — não seguindo a massa, mas filtrando no meu percurso o que vale aplicar na própria vida.
A diferença é esta:
O caminho deles foi seguido por fluxo.
O meu foi construído por critério e reflexão.
E a julgar pelo conteúdo — ou pela falta dele — pela forma física, pela produção intelectual, ou pela ausência dela, prefiro mil vezes seguir meus próprios caminhos.
Considerando o critério nietzschiano, não há dúvida: até aqui, estou levando a melhor em relação à maioria. E de lavada.