Fostes seu filho herege, Leminski,
que dissestes, ó pai,
que Sentado não tem Sentido.
Assim como ele, sou uma criança,
dançando uma ciranda que não para.
Na melhor hora da praia, do dia,
eu oro, eu caio,
mas não sou nenhum zumbi…
Ando, ando —
faça chuva ou faça sol.
Cada novo erro,
a cada nova queda,
é uma nova chance
de voltar mil vezes melhor.
Acordo cedo
e vou até tarde,
sem pensar em parar.
Fico nessas idas e vindas,
empurrado não pelas ondas,
mas pelo som dos passos,
pelo barulho da minha respiração
e pelo som da natureza.
Enlaço meu corpo
com toda a sua santa natureza.
Caminho toda manhã
para participar da sua criação.
Fecho meus olhos só pra poder lhe encontrar
E, enquanto caminho,
você está ao meu lado.
Arrastando os pés no asfalto,
ando, ando,
contando as pedras a cada volta.
Sua hora fica mais perto de chegar,
enfeitando toda a faixa da calçada.
Esse pedaço de chão não é só meu —
é seu também.
Estão todos sempre se apressando
para a grande festa
que, quando começa,
não quer mais acabar.
Começo sem fim
Roda Gigante que não para
A melhor hora da praia
O horizonte se espraia
Essa é a minha oração.
É a de todos.
É a de toda criação.
É a que diz
que sentado não tem sentido.
Que, enquanto houver vida em mim,
seja sempre assim:
Em nome de Jesus
AMÉM.
