
Um tal de Pristianni — que, para não dizer o nome desse elemento, chamarei apenas de camisa 25 — que eu nunca tinha ouvido falar (e até a inteligência artificial premium teve que ser atualizada para verificar quem era), colocou a camisa acima da boca e, segundo Vinicius Jr. e o relato de jogadores, chamou-o cinco vezes de macaco, logo após o golaço e a dança em frente à torcida organizada do Benfica, que eles levaram como provocação, mas nada justifica o crime de racismo.
Como foi covarde e cobriu a boca, não há confirmação visual absoluta. Mas certamente não era para elogiar dizendo que ele era um ébano bonito. Nem para perguntar como está a Virgínia.
Vergonhoso também é José Mourinho — que já foi o “Special One” e hoje parece apenas mais um treinador obsoleto, como tantos técnicos brasileiros — dizer que Vinicius não deveria provocar. Justo ele, que já colocou a mão no ouvido diante de torcida adversária e mandava estádio inteiro calar a boca.
Jogadores internacionais lúcidos se manifestaram: Thierry Henry, Rio Ferdinand, Mbappé. Mas e Neymar? Não é amigo de Vinicius Jr.? Não é negro também? Nunca sofreu racismo?
Sinceramente, talvez por eu não ser negro retinto nem famoso, jamais tenha sofrido uma ofensa pessoal desse nível. Mas dizer que não somos herdeiros do país que foi o último a abolir a escravidão é ser leniente e alienado diante do racismo estrutural que atravessa a nossa formação histórica.