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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

OS POBRE DE EXTREMA-DIREITA DO RECANTO DAS LETRAS

 



DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

O CAPITÃO DO MATO CONTEMPORÂNEO

O pobre de extrema-direita parece ser apenas uma reedição histórica da figura do capitão do mato — aquele que, pertencendo à mesma condição dos perseguidos, colocava-se a serviço do opressor. Há algo de estruturalmente repetitivo nisso.

 

O pobre que se coloca contra o Estado, mas reverencia o capital como se dele fosse herdeiro, encarna uma contradição quase caricatural — digna de um personagem de Chico Anysio. É a defesa apaixonada de um sistema que não o reconhece como protagonista, apenas como peça.

 


 

PROJEÇÃO E TRANSFERÊNCIA

Quando alguém insinua que minha mãe teria “arrumado uma boquinha” para mim — ou que me sustenta integralmente — isso revela menos sobre mim e mais sobre quem fala. É a velha transferência psicológica: projeta-se no outro a própria insegurança. Aliás, se chegaram a essa conclusão, é devido a transparência da minha página.

 

Agora, eu desconfiaria de um juízo moral sobre alguém cuja trajetória se desconhece — não sabe como ganha a vida, como se sustenta, se já empreendeu, se já construiu algo, que não tem alto estima nem mesmo pra mostrar seu rosto, — talvez fosse prudente perguntar, como dizem os futebolistas: jogou onde para dar lição de moral? E não me surpreenderia se essa pessoa sobrevivesse, ela mesma, de algum auxílio.

 

E, a julgar pela ideologia que ecoa essa mentalidade de capitão do mato, sinceramente duvido da superioridade moral que alguns proclamam possuir.

 


 

A VIDA COMO OBRA

A mensagem da vida de alguém é a própria vida — e aquilo que ela cria a partir dela. Se nada se constrói, se nada se produz, torna-se difícil comprovar que ali houve, de fato, vida plena.

 

Lembro-me do suposto “gênio” namorado de uma amiga. Segundo ela, dizia coisas brilhantes. Pedi então algum texto, alguma produção, qualquer manifestação concreta de sua genialidade para que eu pudesse conhecer. A resposta foi digna do final de Hamlet: silêncio.

 

O mundo está repleto desses gênios de si mesmos do mundo da  tabacaria — intelectuais de balcão, eruditos de mesa de bar e livros de citação.

 


 

A ALIENAÇÃO DA PRÓPRIA CONDIÇÃO

O pobre de extrema-direita é, talvez, o mais nefasto dos tipos políticos não por maldade intrínseca, mas por alienação da própria condição. Ele combate aquilo que poderia protegê-lo e defende aquilo que estruturalmente o explora.

 

É a negação de si mesmo como sujeito histórico. É a recusa em reconhecer a própria posição no tabuleiro.

 

E não há tragédia maior do que lutar contra os próprios interesses acreditando estar lutando pela liberdade.

 

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 13/02/2026
Alterado em 13/02/2026
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