O PARAÍSO FICA EM UM SUPERMERCADO
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
Ir ao supermercado perto da minha casa é a experiência mais próxima que tenho de ir ao paraíso.
A metáfora é precisa: o que me atrai ali não é exatamente nada do que está dentro, mas a promessa maravilhosa do que está fora.
Nem mesmo o dono — que, curiosamente, parece sempre lembrar o contrário — importa.
O que me prende é a personificação do que aquele lugar evoca. Do que ele representa.
Assim como, às vezes, um doce, uma viagem ou um lugar nos remetem a alguém especial — ou mesmo a personagens da literatura, a nomes próprios como Helena — o supermercado me lembra de algo maior.
Lembra-me do paraíso.
Não porque ele esteja ali, acessível, mas justamente porque está próximo e distante ao mesmo tempo.
E nada é mais desejável do que aquilo que se anuncia sem se entregar.
A beleza, assim como o paraíso, é sempre uma promessa de felicidade.
Nunca uma garantia.
Indo ao supermercado, imagino refazer a fórmula das Meninas Superpoderosas: feitas de açúcar, tempero e tudo o que há de bom — mais o Elemento X.
Mas, neste caso, o Elemento X não está nas prateleiras.
Ele está fora.
Amor.
Bondade.
Esperança.
Sonho.
Riso.
Tudo isso condensado numa pele alva, olhos pretos expressivos que falam e sorriem, cabelos escuros que parecem conter uma narrativa inteira.
O resultado?
Uma Docinho ainda mais doce do que aquela das Meninas Superpoderosas.