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Acho que nem o mais celerado dos homens é capaz de orar pedindo o mal de outra pessoa. A oração, por sua própria natureza, já impõe um limite moral: quem ora, ainda que confuso, ainda que equivocado, não deseja deliberadamente a destruição do outro.
Se a oração dá certo ou não, eu sinceramente não sei. Não tenho como provar. Mas sei de algo com bastante clareza: quem ora, ora com a melhor intenção possível naquele momento.
E há um constatação fundamental: quanto mais distante é a pessoa por quem se ora, mais desinteressada tende a ser essa oração. Quanto menos vínculo, menos troca, menos expectativa, menos cálculo. Mais amor.
Se você sente, por algum motivo inexplicável, o impulso de orar por alguém que não é seu parente, não é seu cônjuge, não é sequer alguém íntimo — talvez apenas um conhecido, um vizinho distante, ou até alguém que você mal conhece — isso só pode ser um gesto genuíno de amor.
Não há ganho simbólico aí. Não há vantagem emocional. Não há capital moral acumulado. Há apenas o desejo silencioso de que o outro esteja bem.
Esse tipo de oração é o que, na tradição cristã, se chama de ágape: um amor que não se dirige ao mérito do outro, nem à reciprocidade, nem à recompensa. Um amor que simplesmente deseja o bem.
Essa é a única oração que eu reconheço como plenamente válida. E é dessa — e somente dessa — que eu aceito participar.
Há, no entanto, outro tipo de oração: a oração moral. Aquela que disfarça julgamento sob o véu da piedade. A oração que diz, nas entrelinhas: “minha vida é superior, corrige o outro”.
Essa não é oração — é vaidade espiritual. É uma tentativa de afirmar hierarquia moral usando Deus como espelho.
Dessa, eu não participo.
Se for para orar, que seja para que a pessoa encontre algo verdadeiramente amoroso. Algo que a transforme sem humilhação. Algo que a aproxime da vida — não da culpa.