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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

TRUMP É O CÃO BRANCO DO RACISMO!

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

Um dos filmes mais exibidos nas madrugadas do SBT na televisão brasileira era Cão Branco, obra que, ironicamente, encerrou a carreira hollywoodiana de Samuel Fuller, um dos diretores mais radicais e politicamente lúcidos do cinema americano. Fuller — que aparece em participações-homenagem em Pierrot le Fou, de Godard, e em Asas do Desejo, de Wim Wenders — é retratado quase como alguém capaz de ouvir os pensamentos dos homens, um observador incômodo do espírito do seu tempo.

 

Curiosamente, Cão Branco era mais fácil de assistir antigamente do que hoje: o filme não está disponível em nenhuma grande plataforma de streaming, como se o próprio mercado preferisse varrer sua denúncia para debaixo do tapete.

 


 

O FILME MALDITO

A partir de Cão Branco, Fuller foi praticamente banido de Hollywood e passou a filmar majoritariamente na Europa. O motivo não foi estético, mas político. O filme conta a história de um cão albino adotado por uma jovem abastada — com um detalhe aterrador: o animal havia sido treinado para atacar pessoas negras até a morte.

 


 

Trata-se de um filme brutal, violento, desconfortável, que expõe a origem do preconceito racial como algo aprendido, condicionado, inculcado. A narrativa acompanha a tentativa desesperada da jovem de “domar” o animal — metáfora direta do fascismo, sempre à espreita, sempre em estado de excitação, sempre pronto para atacar quando autorizado.

 


 


 

A METÁFORA QUE SOBREVIVE

Trump, com sua ojeriza pública a negros e imigrantes, suas declarações abertamente racistas e sua disposição em ridicularizar o único presidente negro da história americana, encarna com precisão perturbadora a metáfora que Fuller construiu décadas atrás.

 

O racismo, como o cão do filme, não nasce espontâneo. Ele é treinado. Alimentado. Premiado. Autorizado a atacar. E, quando solto, não distingue mais limites.

 

Cão Branco não é apenas um filme sobre racismo. É um filme sobre responsabilidade histórica. Sobre quem treina o animal. Sobre quem finge surpresa quando ele morde.

 

Trump não é um desvio. É a continuação lógica de um adestramento bem-sucedido.

 

 

 

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 06/02/2026
Alterado em 06/02/2026
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