O PROBLEMA É A BURRICE NATURAL, NÃO A I.A
A burrice, assim como a cafonice, é fruto humano — não da inteligência artificial.
Vamos usar o exemplo do próprio Recanto das Letras, onde a IA divide opiniões: há os que a defenestram, ou os que o utilizam de maneira cafona, produzindo imagens constrangedoras ou textos com a humanidade de um Cadillac enferrujado — daqueles que, se escrevessem em dia de chuva, poderiam contrair tétano.
Da mesma forma que alimentos hipercalóricos, somados a um estilo de vida preguiçoso, produzem indivíduos obesos, a recusa deliberada em melhorar intelectualmente produz escritores estagnados. Quem não tenta emagrecer é porque já desistiu do próprio corpo. Quem se diz totalmente contrário à tecnologia como auxílio da produtividade humana é porque já desistiu de melhorar.
Preferem a "obscuridade" à evolução.
Por isso continuam produzindo, desde a fundação do site, exatamente as mesmas coisas: escrevem os mesmos assuntos, com o mesmo estilo, com o mesmo desinteresse pelo aprimoramento. Pessoas que, pela brevidade da vida e sua idade avançada, poderiam economizar tempo e energia com a tecnologia, mas escolheram não aprender nada novo.
O exemplo mais simbólico é o da autora que afirmou preferir seus erros gramaticais “humanos” a usar qualquer correção artificial — como se a ignorância fosse uma virtude estética. Uma santa convicção ignorante.
Não por acaso, alguém que se dizia “estudante de filosofia” — área que pressupõe leitura atenta e rigor com a linguagem — conseguiu cometer, em sua própria descrição, o crime primário de separar sujeito e verbo com vírgula. Erro básico, intuitivamente evitado por qualquer pessoa que realmente tenha o hábito de ler e escrever.
Sábia decisão, aliás, a dela de apagar a própria conta no Recanto.
Ou então o exemplo daquele ancião alemão que, em mais de vinte anos de site, não conseguiu escrever sequer duzentos textos. Duas décadas de inércia intelectual tratadas como se fossem prova de resistência cultural.
Essa glamourização da ignorância, essa exaltação da burrice natural em detrimento da inteligência artificial e da tecnologia, esse conformismo orgulhoso — tudo isso é de causar espanto.
E, em certos momentos, verdadeira ojeriza pela condição humana.
