você nunca vai saber
o que vem depois de sábado.
quem sabe um século
muito mais lindo e mais sábio,
quem sabe apenas
mais um domingo.
meu bem, não chores:
hoje tem filme de Carlito.
cheio de sugestões alimentícias, matas a fome
dos que não foram chamados
à ceia celeste ou industrial.
há ossos, pudins de gelatina,
cereja e chocolate,
e nuvens nas dobras de teu casaco.
tudo guardado
para uma criança ou um cão.
pois bem conheces
a importância da comida:
o gosto da carne,
o cheiro da sopa,
a maciez amarela da batata.
e sabes a arte sutil
de transformar em macarrão
o humilde cordão dos teus sapatos.
mais uma vez jantaste:
a vida é boa.
sossegue — o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija;
depois de amanhã é domingo,
e na segunda-feira ninguém sabe
o que será.
como é lúdico o batom
a fugir de uma boca à outra,
como passar do presente
para o pretérito perfeito
nunca saber direito.
o próprio amor se desconhece e maltrata.
o próprio amor se esconde,
ao jeito dos bichos caçados;
não está certo de ser amor,
há tanto lavou a memória
das impurezas de barro e folha
em que repousava.
e resta,
perdida no ar, por que melhor se conserve,
uma particular tristeza
a imprimir seu selo nas nuvens.
Texto escrito e dirigido por uma inteligência artificial — mas redigido por mim.