DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
Cabreúva eu já fui só de ouvir falar. Através de meu amigo de infância. Talvez dizer que ele era meu amigo de infância seja exagero: alguém com quem eu tinha tantas discussões e rivalidades. Mas, com certeza, andávamos juntos e fazíamos parte da mesma turma. Jogávamos bola juntos, mesma sala, mesma sexta série, pegávamos as mesmas garotas, disputávamos as mesmas atenções e risadas.
Mas ele era diferente de mim. Ele era alto e alemão, e tinha um nome meio estranho — que talvez se torne tradicional e popular algum dia, igual Valentina: chamava-se Moacir. Reza a lenda que devia ter parentes muito bonitas, pela sua boa aparência, algo que eu estou propenso a acreditar.
Moacir vivia dizendo sobre uma cidadizinha do interior de São Paulo, perguntando para o professor — normalmente de matemática — se ele já tinha ido para Cabreúva. Para nós, aquilo parecia uma espécie de lenda, uma espécie de Atlântida.
Porém, anos depois, quando descobri até a existência de uma cidade chamada Santa Fé do Sul, na divisa com o Mato Grosso do Sul, Cabreúva e Atlântida — o impossível — se tornaram apenas uma questão de opinião.
Descobri recentemente que Cabreúva existe mesmo e até a visitei com meu óculos de realidade virtual da Meta — o modo de viajar dos pobres. Ou não tão pobres assim, já que a realidade virtual não é tão barata neste país dos impostos.
Uma cidade muito charmosa, que descobri ser dos amantes, das luas de mel, chalés afrodisíacos. Com cheiro de natureza, espuma, ar e sexo.
Uma tentação para casais apaixonados, mas principalmente para solteiros sonhadores e ingênuos iguais a mim.