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Leminski dizia que todo país ama seus poetas. Talvez seja possível estender isso aos escritores, aos artistas, aos autores — a todos que criam. Até mesmo a quem apenas escreve. Mas aqui falemos dos escritores.
O poeta, o escritor, esse coitado, faz tanta gente sonhar com seus versos, com sua prosa, com suas imagens. Dá palavras aos outros. Dá forma ao indizível alheio. Mas quando ele próprio quer sonhar, como faz? Quando deseja ler, em alguém, aquilo que ele escreve para os outros?
É por isso que, quando encontro um texto não endereçado a ninguém em particular, mas cujas características me atravessam, eu o mendigo para mim. Aproprio-me dele sem culpa. Aquilo que ele tem de geral, eu torno específico. Aquilo que não foi escrito para mim, passa a ser.
E tudo bem. É assim que me viro.
Já que, no amor, as mulheres — ao menos na minha (parca) experiência — são profundamente egoístas: reivindicam tudo e, em troca, oferecem muito pouco. Nem uma carta. Nem um bilhete. No máximo, pseudônimos enviesados, alusões oblíquas, silêncios cheios de subentendidos. Bla, bla, bla.
Como sempre digo: escrevi coisas belíssimas. Mas do amor, obtive apenas uma sombra, como o reflexo de um nenúfar em um lago.