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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

SANTA CATARINA X BRASÍLIA
NA FINAL DO CAPETA 😈

 


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

O CLÁSSICO DOS MILHÕES — DO INFERNO

Se Hades se vangloriava por reinar sobre a população mais numerosa — a dos mortos — e por isso se considerava o deus mais rico entre todos, hoje talvez precisasse atualizar seus critérios. O verdadeiro clássico das multidões não é a Supercopa de amanhã, entre Flamengo e Corinthians, mas o jogo hipotético e demoníaco entre Santa Catarina e Brasília.

 

Não se trata de futebol, mas de simbologia. Um embate que representa o que o Brasil tem produzido de pior. Porque, ao contrário do mito grego, a população mais numerosa hoje não é a dos mortos — é a dos vivos moralmente falidos. O verdadeiro clássico dos milhões é o clássico do inferno.

 


 

UMA SOCIEDADE PRODUZ SEUS ÍDOLOS

Há uma tese incômoda, mas historicamente consistente: toda sociedade produz seus líderes, seus símbolos e seus monstros. Roma desejou Calígula. A Alemanha desejou Hitler. A Itália desejou Mussolini.

 

Santa Catarina desejou — e produziu — a Lava Jato, a anulação de cotas raciais, o discurso da superioridade branca, o caso do assassinato do cão Orelha, Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, a deputada Ana Campagnolo e a tese infame de que cotas são desnecessárias porque “somos o estado mais branco do Brasil”.

 

Faltou apenas completar a frase: também o mais reacionário e preconceituoso.

 


 

BRASÍLIA, A CAPITAL DO DESARRANJO

Do outro lado do campo, Brasília representa o que a política brasileira tem de mais degradado: o judiciário em escândalo da Master e Vorcaro, a leniência e genuflexão de Toffoli, Bolsonaro e seus satélites.

 

E, como símbolo perfeito dessa decomposição, o jovem Pedro Turra: 19 anos, ex-piloto, abastado, mimado — um retrato fiel do “jovem de bem”. O mesmo arquétipo dos adolescentes que mataram o cão Orelha em Santa Catarina.

 

O mesmo perfil de quem levou um adolescente ao coma com socos, obrigou uma jovem a ingerir vodca, agrediu um idoso em uma discussão de trânsito e o impediu de entrar em sua própria casa.

 

Um jovem de boa família. De bom coração. Tão bom quanto Bolsonaro e sua linhagem.

 


 

O JOGO DO INFERNO

Se pessoas são símbolos — e são —, então esses personagens personificam com perfeição Santa Catarina e Brasília. Os cidadãos que não se reconhecem nisso são, infelizmente, a resistência silenciosa: a exceção que confirma a regra.

 

Nesta final demoníaca, não há campeão moral. Quem vencer senta ao lado do tinhoso no inferno — e levanta a taça da decadência nacional.

 

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 31/01/2026
Alterado em 31/01/2026
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