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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

FILÓSOFOS NÃO SABEM O QUE É A VIDA

 


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRA.COM.BR

 


 

Vendo o famoso react de Clóvis de Barros no programa do Abujamra, em que ele não consegue dar uma resposta satisfatória à pergunta “o que é a vida”, e se defende dizendo que certas palavras — como manga ou vida — têm muitos significados, fica claro que ele, como tantos outros filósofos, é inteligente, mas não sabe viver.

 

E não é um caso isolado. Nietzsche gostava de questionar a suposta sabedoria de Sócrates — aquele que teria sido o maior sábio de todos —, especialmente no segundo capítulo de Crepúsculo dos Ídolos, o Problema de Sócrates. No entanto, o próprio Nietzsche viveu mal: enlouqueceu, contraiu sífilis, amou pouco, teve pouco reconhecimento em vida. É difícil dizer que ele próprio era sábio — ou que sabia viver.

 

Christian Dunker, intelectual brilhante e psicanalista, admitiu recentemente que estudou tanto que desaprendeu a viver.

 


 

ERUDIÇÃO INFÉRTIL

Todos eles têm algo em comum: uma erudição muitas vezes infrutífera, um certo sedentarismo existencial ou uma compulsão destrutiva. Foucault, por exemplo, frequentava casas de swing gay em Los Angeles, onde contraiu AIDS. Digamos que, em certos períodos, foi mais ativo sexualmente do que intelectualmente — ainda que lesse três livros por dia, if you know what I mean.

 

Essa tensão aparece com clareza em Um Homem que Dorme, de Georges Perec. Um estudante — acredito que de filosofia — movido pela angústia, decide abandonar as aulas. Perec diz que ele não vive: apenas subsiste. Come, dorme, inventa um jogo de cartas para jogar sozinho, deixa de ver amigos, de visitar os pais, de responder cartas.

 

Ele vive num pequeno apartamento em Paris — uma espelunca, uma pocilga: um cômodo, três pares de meias, alguns livros que não lê, dinheiro contado para a comida.

 


 

IMAGINAR SÍSIFO FELIZ?

Camus escreve, em O Mito de Sísifo, que é preciso imaginar Sísifo feliz. Sísifo, condenado a rolar eternamente uma pedra que sempre retorna.

 

Bom, Sísifo eu não sei. Mas o homem que dorme — e muitos filósofos — é difícil imaginar felizes.

 


 

DO QUE FUGIMOS

Isso me remete ao último reel que compartilhei no meu Instagram. Aquilo de que o personagem de Jack Nicholson foge, no recorte que fiz de Profissão: Repórter, de Antonioni, é exatamente o que todos nós fugimos como humanos.

 

Talvez só assim possamos ser felizes.

 

Respondendo, então, ao Abujamra: para mim, a vida é aquela cena.

 

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 30/01/2026
Alterado em 30/01/2026
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