Se Nikolas é assim tão abençoado, e seus motivos tão nobres e santos — a ponto de lutar pela absolvição de um “homem de bem” como Bolsonaro —, por que então Deus mandou o raio? Ou, ao menos, por que não impediu que ele caísse? E, já que estamos falando de providência divina, por que não choveu uma chuva de bênçãos?
Aliás, se Bolsonaro é um homem de bem, talvez seja melhor eu começar a me comportar. Porque, se ele é bom, imagina as pessoas ruins — essas devem ir direto para o inferno sem escala e deve ser um local de convivência mais difícil que o BBB.
No fundo, isso tudo me lembra Cândido, de Voltaire: Pangloss celebrando o terremoto de Lisboa como parte do “melhor dos mundos possíveis”. Ou ainda o humanitismo ingênuo e torto de Quincas Borba, onde tudo se justifica em nome de uma lógica que só faz sentido para quem já desistiu de pensar.