Uma autora, que se autodenomina trans e macumbeira, inferiu que eu modifico meu rosto no corpo de outra pessoa. Não sei até que ponto o fato de ela ser uma autora, digamos, um tanto quanto sui generis influencia nessa percepção, mas, na verdade, recebo isso como um elogio.
Igual àquele alemão da Shopee — o tal do Goebbels, ou era Raffert, ou Rapport, sei lá, alguma coisa alemã — que dizia que eu era uma célula da esquerda infiltrada no Recanto para sepultar os bons valores da família tradicional. Segundo ele, seria impossível alguém como eu escrever o que escrevo; logo, meu perfil só poderia ser resultado de inúmeros intelectuais da intelligentsia brasileira atuando em conjunto.
Ora, melhor do que uma crítica construtiva é esse elogio destrutivo que ele me fez.
E posso garantir: não sou trans nem macumbeiro.