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A semelhança entre Johnnie Walker e Nikolas Ferreira é simples: ambos embriagam e gostam de andar.
Há algo de pateticamente cômico nessa rosário-peregrinação antidemocrática de Nikolas, que lembra até o momento em que Forrest Gump sai correndo sem direção alguma e acaba arrastando uma horda de idiotas que passam a acreditar que aquilo tem algum significado profundo — quando, na verdade, é apenas o resultado da própria idiotice de quem decidiu seguir andando.
Para Carlos Bolsonaro, por exemplo, a caminhada parece uma boa oportunidade para perder peso e emagrecer. Ainda assim, não surpreenderia ninguém descobrir que ele conta com uma assessora particular, passando pomada anti-inflamatória nos pés asquerosos, abanando-o discretamente e oferecendo isotônico na boca.
Tampouco causaria espanto se, no meio da madrugada, quando ninguém está olhando, o grupo resolvesse completar parte do trajeto de Uber.
É inegável, contudo, o sucesso de adesão da chamada caminhada da vergonha — já que as imagens foram comprovadamente manipuladas por inteligência artificial.
Chama atenção o fato de que a maioria dos manifestantes aparenta sobrepeso e total falta de preparo físico. Então, não é uma adesão em massa, mas uma adesão de massa: de pizza, pastel, macarrão. Caminham, supostamente, para “salvar a nação”, ainda que por meios claramente antidemocráticos, mas não caminham para cuidar da própria saúde.
A coerência, definitivamente, nunca foi o ponto forte de certas vertentes políticas.