COITADA DO “MEU AMOR”
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
Usam frequentemente o exemplo do filme Forrest Gump para defender a ideia de que, mesmo alguém sem grandes talentos — para não dizer com limitações evidentes — pode alcançar realizações extraordinárias por meio da autenticidade.
Mas existe algum filme que trate das realizações de uma vida não autêntica?
Se não existe, ao menos este texto se propõe a isso.
É impressionante como uma breve pesquisa na internet devolve o “resumo” de uma pessoa: mais de dez anos de vida condensados em um curso de seis anos de medicina, estágios em clínicas dos pais, cursos online e certificações.
Tudo isso em uma profissão que, segundo prognósticos cada vez mais plausíveis, está próxima de ser parcialmente substituída pela inteligência artificial.
Numa primeira análise, o que chama atenção é que, com toda probabilidade, essa formação consumiu muito mais recursos financeiros do que gerou até aqui. Mas esse, claro, é um problema dos pais que bancaram os estudos.
Curiosamente, dez anos é o tempo que Ulisses levou para retornar a Ítaca. Dez anos também durou a famosa guerra entre gregos e troianos. Dez anos era o intervalo desde a última derrota do Palmeiras por 4 a 0 até o vexame recente.
E há mais de dez anos é o tempo que eu a conheço.
A questão é: o que mudou na nossa relação de lá para cá?
A prova do meu desenvolvimento está exposta: mais de dois mil textos publicados, imagens, ensaios, um conteúdo contínuo e público, registrado nesta página e no meu Instagram.
Já o dela, apesar de uma suposta altivez — que existe, com toda certeza, apenas na cabeça dela — resume-se a um currículo que cabe em meia página da internet.
E nem sequer é possível comprovar se o que ali está descrito corresponde, de fato, ao que ela sabe ou é capaz de fazer.
O que eu deixo registrado na internet é durável. É rastreável. É verificável.
E, como já disse outras vezes, por mais que a inteligência artificial avance, ela não será capaz de produzir um texto de Dave Le Dave — com a minha estética, minha assinatura e meu modo singular de pensar.
Vocês eu não sei.
Mas quem produz o tipo de conteúdo que eu produzo não será substituído por inteligência artificial.