
A prova de que todo amor é egoísta está no fato de quem ama reivindicar a pessoa amada apenas para si. Ora, se eu amo alguém, não deveria presumir que essa pessoa também pode ser boa para outros, do mesmo modo que é para mim?
O que chamamos de amor não passa de um mecanismo da evolução para evitar que troquemos constantemente de parceiro — algo que seria cognitivamente muito custoso.
A excitação sexual é apenas uma resposta instintiva de que alguém é biologicamente adequado para gerar filhos. Não há misticismo aqui. Apenas biologia.
Parece-me que muitas pessoas entram em relacionamentos não por amor, mas por não suportarem a si mesmas. Não suportam a própria solidão, o convívio consigo, e por isso procuram compartilhá-la com outro.
Ou então entram em relacionamentos por pura pressão social. A sociedade desconfia dos celibatários e dos eremitas.
A consequência de um relacionamento entre duas pessoas que não se suportam é previsível: para validar a própria união, precisam recorrer a fatores externos.
Exibir felicidade no Instagram é o método mais comum. Quando isso se torna impraticável, parte-se para soluções mais simples: ter um filho — ou, para os menos afortunados, plantas ou cachorros.
Em muitos casos, são relações perdidas.
Não lembro exatamente quem disse — talvez Kierkegaard, no Diário de um Sedutor — que muitas pessoas se precipitam e, ao analisarem anos de relacionamento, já não sabem dizer o que ganharam ou perderam.
É aqui que entra o Recanto das Letras, que funciona como um microcosmo da sociedade. Não há tanta diferença entre o que se publica aqui e o que se publica no Twitter.
Não escrevo para que concordem comigo, mas para que observem e cheguem a suas próprias conclusões. Basta olhar a página inicial.
O que chama atenção é como algumas pessoas estão há décadas no Recanto sem apresentar qualquer sinal de evolução: nem no repertório, nem na escrita, nem no conteúdo. Anos publicando as mesmas banalidades, os mesmos temas, do mesmo modo.
Quando se observa o tempo gasto em redes sociais e o estilo de vida de certas pessoas, torna-se evidente por que enfrentam uma série de doenças crônicas associadas ao sedentarismo e a outros pecados capitais, como gula e preguiça.
Não digo que todos tenham a opção de cuidar da saúde ou de viver bem em vez de apenas subsistir.
Mas quem dispõe de condições materiais favoráveis — tempo e dinheiro — e, ainda assim, escolhe deliberadamente a imobilidade, o conforto alimentar e o conforto de conteúdos rasos das redes sociais, incorre em uma falta muito mais grave.
Tudo isso para dizer que o Recanto das Letras não é tão diferente do Facebook.
Ainda assim, é melhor você entrar no meu site do que permanecer lá — ou mesmo aqui, sem pensar.