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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

VIVER BEM É QUESTÃO DE CRIATIVIDADE

 


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

A CRIATIVIDADE DA SOBREVIVÊNCIA

Há uma certa poesia na dona de casa que consegue encaixar as despesas do mês — marido, filhos e, às vezes, até algum agregado, seguindo uma tradição que vem desde Dom Casmurro — no orçamento de um salário mínimo. Às vezes, até menos, contando apenas com o valor de um benefício.

 

É por isso que nos causa ojeriza e espécie — até espanto — ver ricos discursarem sobre os direitos dos pobres. No Brasil, há um humanismo às avessas: em vez de o pobre se revoltar com o lucro do rico, é o rico que sente raiva do lucro do pobre, mesmo quando esse lucro significa apenas sobrevivência.

 

Essa dona de casa exerce uma criatividade extrema para continuar vivendo.

 


 

EMPATIA COMO CAPACIDADE DO ESPÍRITO

Como se sabe, a empatia é uma capacidade do espírito. E é justamente por isso que muitos ricos carecem dessa habilidade: não conseguem se colocar no lugar do mais vulnerável.

 

O rico, ao contrário, demonstra frequentemente uma extrema falta de criatividade para viver. Há um pragmatismo árido até na forma como se relacionam entre si. O efeito colateral disso é que se tornam todos mais ou menos iguais, reproduzindo as mesmas coisas, legando as mesmas misérias. Não é preciso ser Émile Durkheim nem um Sherlock Holmes da sociologia para prever a penúria que algumas crianças herdarão — ao observar o ambiente e o modo de vida de seus pais.

 


 

ANGÚSTIA E ESCOLHA

Na filosofia, o conceito de angústia está ligado à multiplicidade de caminhos possíveis no momento da escolha. A cada escolha feita, abandonamos inúmeras outras possibilidades.

 

A impossibilidade de saber como seria a vida se tivéssemos escolhido diferente — esse desconhecimento radical — é o que produz a angústia.

 

Quando entramos em um relacionamento, por exemplo, deixamos de viver uma infinidade de outros. E essa banalidade da escolha, somada à imprevisibilidade do que teria sido, só pode gerar angústia.

 


 

CRIATIVIDADE COMO ARTE DE VIVER

A criatividade também diz respeito à melhor escolha possível dentro de oportunidades extremamente limitadas.

 

Quando disponho de recursos escassos para sobreviver, muitas vezes preciso de muito mais criatividade para viver bem com o que tenho.

 

Devo deixar de comer? Comer alimentos menos saudáveis? Ou deixar de beber para economizar e comer fora?

 

Se gosto de futebol, quanto custa, por mês, ingresso, transporte e alimentação para assistir aos jogos do meu time?

 

Se gosto de videogames, vale mais a pena um portátil moderno, um PC ultramoderno ou uma assinatura mensal para jogar na nuvem — o que exige, por sua vez, uma boa internet?

 

Será que assinar serviços de streaming ou usar inteligência artificial não pode, em certos casos, substituir gastos com nutricionista ou personal trainer?

 

E será que praticar atividade física e comer alimentos naturais, em vez de ultraprocessados, não significa, no longo prazo, economizar com remédios e médicos — e, mais ainda, ganhar tempo de vida?

 


 

APOSTA E RESPONSABILIDADE

Toda escolha é uma aposta. E aquilo que colocamos na aposta é sempre a felicidade — tendo como ficha principal o nosso tempo de vida.

 

Viver bem é, antes de tudo, uma questão de criatividade.

 

Algumas pessoas são extremamente criativas em viver mal, em ser ruins. A maldade é uma capacidade inerente ao ser humano, e a perversidade parece residir justamente nesses indivíduos que são muito criativos em exercê-la.

 

No mundo animal, não há maldade — há apenas sobrevivência.

 

O ser humano, ao contrário, escolhe a maldade: às vezes de forma mais criativa, às vezes mais deliberada e consciente.

 

Como fazem alguns ricos que, em vez de escolher reduzir a desigualdade, decidem lutar contra os direitos dos pobres!

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 16/01/2026
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