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Onde o filme acerta — e talvez apenas nisso — é no título e no adjetivo que descreve a qualidade artística da obra, da história e dos personagens: pobres.
Essa pornografia da violência, com o diretor focando cada incisão cirúrgica de forma quase lasciva, parece existir apenas com intuito de desagradar a um espectador sensível e de bom gosto.
Como se o choque gráfico emprestasse, automaticamente, densidade conceitual e artística à obra. O resultado se assemelha a um conto dos irmãos Grimm produzido pelo Xvideos.
Os personagens são bobos, caricatos, sem graça. Os diálogos, supérfluos, com um falso rebuscamento tosco. Parece uma fábula, de fato — mas uma fábula burlesca, constrangedora. Uma ópera bufa.
Quando diziam que a Disney escondia mensagens eróticas em seus filmes, ao menos havia discrição. Aqui, a pornografia é escancarada, quase como um comercial do Show da Vida de Truman
Talvez, com um tratamento mais inocente e artístico, alguém como Guillermo del Toro pudesse valorizar direção e roteiro.
Mas do modo como foi feito, o filme mistura uma estética que remete ao futurismo mecânico de Final Fantasy IX com uma violência gráfica sexual em preto e branco, usada de forma gratuita — sem contribuir em nada para a história.
Aliás, é preciso falar do maior problema: a própria história.
Bela Baxter é uma mulher que se suicidou grávida. Para salvá-la, um doutor decide transplantar o cérebro de um ser em outro, que por acaso, é sua própria filha — algo tão simplório quanto um episódio do Pica-Pau em que trocam o cérebro dele com o de um macaco.
É uma espécie de Frankenstein de Mary Shelley, mas sem qualquer sutileza.
O problema se agrava quando vemos uma mulher com cérebro de bebê se desenvolver de forma absurdamente rápida — algo impossível de ser explicado pela neuroplasticidade.
Talvez fizesse mais sentido o cérebro de um ancião em um corpo jovem. Mas não é isso que acontece.
O pior vem depois: essa jovem, com cérebro de criança, passa a manifestar desejo sexual desenfreado — inclusive por seu criador — envolvendo-se com diversos homens, chegando à prostituição.
Uma criança no corpo de uma mulher. Como se chama esse tipo de patologia no senso comum? Prefiro não escrever para que o texto não seja banido.
E, ainda assim, deram o Oscar para isso.
Deram o Oscar para uma atuação caricata, com inglês infantilizado, diálogos pobres e sem qualquer tom cômico genuíno.
Sem dúvidas, um filme pobre — em quase todos os sentidos. Dito isso, nota 10/10.
Brincadeira, nota 4/10.