O QUE ESPERAR DE 2026
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
Além de não esperar nada que não dependa exclusivamente de mim — como comparecer a todos os jogos do Palmeiras em casa, mesmo sem garantia de título — espero, sobretudo, produzir a realidade que desejo ver no mundo.
Não é do meu feitio olhar para o Instagram e outras redes sociais apenas para criticar. Prefiro utilizá-las para produzir a rede social que considero ideal para mim.
Brinquei com um amigo, J., dizendo que, no último mês, fiz mais pelo cinema do que a Ancine, por meio dos recortes de filmes que postei no meu Instagram.
Curiosamente ou não, os que mais fizeram sucesso foram justamente os mais óbvios. Infelizmente. Mas isso é algo que não posso controlar. No máximo, posso me adaptar.
Ainda assim, confesso que gostaria que todas aquelas milhares de visualizações fossem destinadas aos meus textos do Recanto.
Em 2026, gostaria que cada texto tivesse, ao menos, dois dígitos de leitura. Sem me render à lógica da autopromoção em redes sociais. Sem contar apenas com a leitura de quem eu mesmo comento ou divulgo a página.
Quero que entrar no meu Recanto se torne parte da rotina das pessoas. Esse é um desafio real que coloco para 2026.
Meu compromisso para este ano é manter uma página mais family friendly: sem polêmicas vazias, sem críticas gratuitas, sem pessimismo — mas também sem cair no otimismo ingênuo da Poliana.
No máximo, usando uma linguagem freudiana, penso meu Recanto como uma espécie de superego; meu Instagram, como o id; e eu mesmo como esse eu sempre instável, fábula, e inapreensível.
Sou, afinal, uma diversidade do mesmo agente, atuando e interpretando papéis distintos ao longo de um único dia, conforme o mundo me afeta.
Uma das definições de loucura é fazer sempre as mesmas coisas e esperar resultados diferentes.
Em 2026, espero fazer coisas diferentes, considerando a contingência do mundo — ou, ao menos, mudar o método da loucura, como Hamlet, para obter outros resultados.
Vou escrever menos e fazer mais. Falar menos e agir mais.
Reconhecendo a limitação de que, mesmo tentando fazer a melhor escolha, sou frequentemente traído pelos meus próprios pensamentos antes de agir. Ainda assim, posso escolher o que quero que me afete — e o que escolho mostrar.
E talvez o mais importante seja reconhecer que conhecimento e maturidade só se adquirem com o tempo. É por isso que, como diria Harry Styles, nenhum ano é “as it was”. A cada mudança do mundo — como no rio de Heráclito — eu, atravessado por ele, já não sou o mesmo.
O conhecimento é justamente a ferramenta que levo comigo dessa experiência acumulada, desse aprendizado contínuo, e é ele que facilita todo o processo a cada novo ano. Quando se sabe o que dá certo — a importância da rotina, do sono, dos hábitos, de como treinar, estudar, organizar a dieta — tudo flui com menos atrito.
Nada disso é dado; tudo isso é conquistado. Quem começa o ano do zero acaba, muitas vezes, carpindo sentado — não por falta de esforço, mas por ainda não dispor do conhecimento necessário.
Gosto de pensar a vida assim: como um campo permanente de experimentação e produção de realidade.