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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

UMA GRANDE LIÇÃO DE JESUS — MAS ESQUECIDA

 


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

O mundo é tão incomensuravelmente grande que não deixa de chamar a atenção como alguns de nossos irmãos ateus ou agnósticos batem no peito para afirmar, com absoluta certeza, a não existência de Deus. Diante disso, só posso constatar que o ateísmo também é uma profissão de fé — uma crença — por vezes ainda mais dogmática do que qualquer outra.

 

Os argumentos em favor de Deus, da organização do universo, do princípio da máxima entropia, são robustos. Mas não é disso que quero falar. Quero falar de Jesus.

 


 

JESUS COMO FATO

Do mesmo modo que não posso afirmar nem negar a existência de Deus, posso constatar a existência de Jesus como figura histórica — provavelmente a mais influente de todos os tempos. A Bíblia como a obra literária mais importante e acessível da história. E a religião como a forma de espiritualidade mais confortável ao homem.

 

Não podemos comprovar que ele é Deus. Mas que ele existiu — o homem cuja morte data o nosso calendário — isso é inegável.

 


 

ONDE NIETZSCHE ACERTA

Acho que Nietzsche acerta ao afirmar que a religião, principalmente na figura de Paulo, ao tentar transformar a vida de Cristo em religião, acabou por desvirtuar seus ensinamentos. E, ironicamente, quanto mais a religião cresce, mais os ensinamentos de Cristo são ignorados.

 


 

O ESQUECIMENTO CENTRAL

O que mais se vê nas religiões é a obsessão por juízo, por certo e errado, pela alegria com a punição, pelo julgamento final. Mas Cristo disse: quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra.

 

Ele acreditava tanto nisso que morreu por essa ideia.

 


 

TELHADO DE VIDRO

Foi essa intuição que trouxe para este ano. Como posso julgar alguém se tenho telhado de vidro? Será que sou bom o tempo todo?

 

Se não arrumo minha própria cama, se sou sedentário, se não tenho conteúdo, se mal sou alfabetizado, se tenho preguiça e, por isso, gordura, se não treino, se não tenho músculo — será que posso mesmo julgar alguém?

 

Será que todos esses aspectos da minha vida estão resolvidos para que eu possa julgar o outro?

 

Será que ao bloquear alguém em uma rede social não estou apenas tentando preservar uma vitrine idealizada, imaculada, sem pecado — uma imagem que diz mais sobre mim do que sobre o outro?

 


 

FALAR POR MIM

Bom, eu posso falar por mim: eu não.

 

E essa é a evolução que trago para este ano. Se não consigo ser uma pessoa boa nem no texto, imagine na vida real.

 


 

ANTES DE JULGAR

Será que julgo o outro, mas falo alto com minha mãe e com minha família? Será que quero mudar o mundo, mas não arrumo nem a minha própria cama?

 

Será que não tenho aspectos internos para resolver antes de apontar o dedo?

 

Será que escovo os dentes e passo fio dental todos os dias, no mínimo, para afirmar que outro é pior do que eu? Como estão meus exames? Minha capacidade de raciocínio, de interpretação de texto, minha elegância, minha criatividade, além da minha saúde financeira? E, por que não, minha capacidade aeróbica?

 

Tudo isso está irrepreensível para que eu critique o próximo?

 


 

 

FÉ COMO EFEITO COLATERAL

Para cumprir minha promessa de otimismo, encerro com uma constatação: a fé pode ser entendida como um efeito colateral da razão.

 

Olhamos para o mundo, para a injustiça, e desejamos algo melhor. Conhecemos pessoas que parecem só fazer sentido se houver algo superior. Identificamo-nos com ideias, autores, figuras humanas.

 

Tudo isso só pode ser fruto — ainda que indireto — de algo divino.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 06/01/2026
Alterado em 06/01/2026
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