2026 — ACIMA DA MORAL
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
Em 2026, a grande novidade editorial que quero trazer para a minha página é transmitir uma postura afirmativa da vida. Para isso, preciso me colocar acima da moral, acima dos julgamentos morais, para falar exclusivamente de ética.
Os julgamentos — certo e errado — deixo para meus leitores. Eu me dedicarei apenas a transmitir sentimentos positivos e afirmativos na vida. Nada de ressentimento, raiva, nada de pessimismo, tampouco um otimismo bobo à la Voltaire em Cândido ou ao estilo de Pangloss. Pés no chão.
Quero que meu leitor — inteligente — ao final da leitura, se sinta maior e mais otimista, nunca diminuído. Que saiba filtrar, nas contradições inevitáveis, aquilo com que meus escritos dialogam e aquilo que não dialoga.
O que não agradar, que seja deixado de lado. Que se passe a outro texto, até que, em algum momento, algo encontre ressonância — seja no humor despretensioso e intimista, seja nos ensaios mais austeros.
Sentimentos como inveja e raiva são precisamente aquilo que não veremos este ano.
Eu disse que quero que meu leitor e minha leitora se sintam maiores, e não menores. Não sei exatamente definir o que é pequeno, mas sei dizer, com segurança, o que não é grande no ser humano.
Ao contrário de Zaratustra, que ao retornar à cidade após longo tempo afastado nas florestas conclui que o homem havia se tornado menor, eu quero apenas apontar o que não é grande no ser humano.
Não é grande no ser humano julgar outro sem conhecer as circunstâncias que o afetam.
Não é grande punir alguém — como bloquear em uma rede social — por uma mensagem espirituosa. Esse é um comportamento punitivo, não recompensador, e diz mais sobre quem o pratica do que sobre quem sofre o bloqueio.
Tudo deve ser considerado a partir do tom da abordagem, do que ela transmite e do ambiente em que ocorre.
O comportamento grande é, quando algo de fato não me afeta, demonstrar indiferença, deixar passar, não tentar mostrar grandeza reprimindo. Isso é ressentimento. Mesmo quando se trata de um julgamento moral, é preciso se colocar acima dele.
É grande no homem saber que o que importa é a média dos hábitos e dos comportamentos, e não um ato isolado aqui ou ali.
A formação rizomática do homem — que se dá como raízes que se espalham — me diz que estou no caminho certo. Se fosse exigido que qualquer pessoa fosse completamente rizomática em todas as áreas da vida, isso seria muito mais difícil do que, no meu caso, corrigir apenas uma dimensão específica.
A vida é mais do que profissão, mais do que dinheiro, mais do que desempenho isolado.
Espero que o objetivo proposto no início deste texto tenha sido alcançado.