SASHA E XUXA MOSTRAM COMO O TEMPO É CRUEL
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
Quem nasceu neste século tem dificuldade de acreditar, mas antes da Virgínia ser a “rainha do Brasil”, a Xuxa era muito maior do que qualquer coisa que se vê hoje.
Ela foi, de fato, a rainha dos baixinhos nos anos 90. Tinha parques temáticos, dominava a indústria do entretenimento e transitou por tudo: do pornográfico, como foi lançada, ao mercado adulto, até chegar à música e se tornar a rainha dos baixinhos.
Basta ver hoje o filme em que ela dorme com um menor de idade para entender como era fácil se tornar a “rainha dos baixinhos” naquela época. Mas o tempo passou.
E hoje ela virou um meme. Não um meme maior que a Gretchen, mas ainda assim um meme.
A campanha do Canva, editor de imagens, brincando com a lenda urbana de que os discos da Xuxa tinham mensagens subliminares, é exatamente isso. O mesmo mecanismo da Head & Shoulders zoando o inglês do Joel Santana.
Ela já não é reconhecida pela beleza ou pelo talento que teve, mas por uma piada interna.
Agora vem a filha. Sasha nunca foi atriz, nunca foi apresentadora, nunca foi nada disso. Ainda assim, é uma das mulheres brasileiras mais ricas.
E o que ela faz?
É bonita. E só.
Para a nossa sociedade, que premia a beleza acima de qualquer coisa, isso foi suficiente para gerar riqueza. A vida dela é instagramável.
Rosto bonito, magra, pouca gordura corporal e gordura exatamente onde o público valoriza: glúteos e seios.
E, ao contrário da Gabriela Priori, ela tem uma beleza irretocável. Não parece uma Barbie com defeito de fábrica. Representa a beleza perfeita.
Às vezes me pergunto se a Xuxa não tem mesmo algum pacto: ter uma filha de tamanha beleza não faria parte do acordo?
E, ao contrário do que fiz com a Gabriela Priori, não vou criticar a beleza do namorado da Sasha. Ele combina com ela, ainda que de um jeito estranho, desses casais que parecem irmãos, como a Larissa e o marido dela.
Mas o ponto em comum entre todos esses casos é simples: quando sobra beleza, falta conteúdo.
E talvez, se ela olhasse para o caso da própria mãe, se perguntaria até quando a beleza, sozinha, garante riqueza ou sustenta um relacionamento.