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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

FICAR BONITO VESTIDO OU PELADO?

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

Há um mantra repetido em academias segundo o qual se treina para ficar bonito pelado. A repetição é tamanha que a frase ganhou estatuto de verdade. Mas, como se sabe, uma mentira não vira verdade só porque é repetida inúmeras vezes; antes o contrário: a necessidade da repetição revela a mentira por trás da afirmação.

 


 

O CORPO COMO DOGMA

Se analisarmos um fisiculturista de palco, pode-se dizer tudo a seu respeito, menos que ele seja bonito pelado. Ele entra de sunga não por pudor, mas porque, sem ela, daria para ver justamente o menor músculo que ele possui. É o preço que se paga por tanto hormônio.

 

Muitas vezes, na academia, busca-se o crescimento muscular e volumoso de maneira niilista, sem um fim próprio, desconsiderando a simetria e a estética. Veja o Pacholok, da Max: grande, com certeza, mas nem tudo que é grande é bonito. Há pessoas que, ao crescerem, ampliam apenas a percepção de feiura e monstruosidade. Esse é o caso de muitos fisiculturistas. Algo que agride o olhar.

 


 

QUANDO O PADRÃO ERRADO VIRA MÉTODO

Infelizmente, esse padrão se transfere para o corpo feminino. Treinadores formados nesse ambiente aprendem a valorizar e reproduzir esses mesmos critérios estéticos, aplicando-os às alunas como se fossem universais. O que se vê são garotas masculinilizadas — uma aberração.

 

Se alguém me perguntar quem sou eu para dizer isso, basta observar o padrão de beleza de quem entende de beleza e elegância: as grifes. O corpo que muitas mulheres são treinadas para ter na academia é justamente o oposto do que o mercado da moda, da passarela e da cosmética valorizam.

 


 

A FITNESS QUE NÃO VIRA GRIFE

Veja o caso da Gabriele Priori. Sem dúvida, ela é fitness dentro de um padrão reconhecido. Ainda assim, não se associa a marcas de academia ou suplementos. Tampouco se torna rosto de grandes grifes. Há algo ali que não encaixa completamente. Uma espécie de Barbie com defeito de fábrica, vendida mais barato. Não sei dizer exatamente o quê, mas o estranhamento existe.

 

A contradição se estende, mais categoricamente, ao marido. Se ela vende leitura, cuidado estético, sofisticação e conteúdo, ele parece quase a antinomia kantiana do belo e do bom gosto — uma definição tautológica do que não é beleza.

 


 

O CORPO COMO PERFORMANCE MORAL

Agora, analisemos Marcos Mion. Em sua bio do Instagram, ele diz preferir livros à tela e se define como ator e escritor. Ora, tudo o que menos consigo imaginar é o Mion lendo e escrevendo. Supino, isso sim, ele faz muito bem.

 

Sua verdadeira vocação sempre foi o entretenimento. Desde a época da MTV, soube se adaptar para falar com o grande público — e isso é admirável. O problema é a obsessão com o corpo: treinar três vezes ao dia, postar foto às 23h, perto do Natal, em férias.

 

Não existe certo ou errado quando o valor é imposto a si mesmo, mas é possível afirmar, com base científica, que treinar nesse horário prejudica o shape: aumenta o cortisol, inibe a adenosina e compromete o ciclo circadiano. É impossível manter aquele nível de gordura treinando à meia-noite sem hormônios, estimulantes ou outras drogas, sei lá... Mas pode ter certeza de que algo ali está sendo usado, e não é barato, às vezes paga-se com a própria saúde.

 


 

CONFISSÃO FINAL

Eu mesmo treino duas vezes por dia. Mas durmo às 22h, acordo às 6h e sou 100% natural. A única intervenção cirúrgica que fiz foi operar a adenoide quando criança — o que, ironicamente, prejudicou a simetria do meu rosto perfeito. Alterou justamente o que eu tinha de mais bonito: o nariz. Desde então, ele é a parte que mais detesto, por não dialogar com a proporção do resto do rosto, como vocês podem ver nas fotos.

 

No fim, este texto todo foi apenas para explicar por que meu nariz é feio e por que eu treino para ficar bonito pelado — mas, sobretudo, vestido também. Afinal, ao que tudo indica, a maior parte do seres humanos passa a vida de roupa.

 

Com exceção, talvez, do Oliver, do teste de fidelidade do João Kléber.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 27/12/2025
Alterado em 28/12/2025
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