UMA NOVA FORMA DE USAR O INSTAGRAM.
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BRO que me deixa chateado, ao removerem a cena da dança de Moonrise Kingdom do meu Instagram, é não poder homenagear uma cena, um diretor e um filme que amo e, através da minha página, divulgar o trabalho dele para pessoas que não viram ou conhecem e querem rever só o recorte — uma curadoria por alguém de bom gosto que ama cinema.
Aí vem um "cara" que não é o diretor, nem o autor do filme, nem a empresa, e proíbe meu conteúdo em 32 países, inclusive no Brasil. Eu, que só com essa ação fiz mais pelo trabalho do Wes Anderson do que eles, que só querem lucrar. Esse é o uso errado do Instagram.
A minha página é boa porque, para você desfrutá-la, nem precisa ter conta, nem mesmo me seguir. Por isso não posto stories: eu odiaria saber quem é que anda vendo a minha página. Ela é para ser contemplada, não seguida. Mas o ator principal é o meu site, e ela só existe por causa dele — é um braço dele. Quando, em menos de 24 horas, quase 300 pessoas se depariam com um filme de Truffaut? E eu possibilito isso no INSTAGRAM!
E é importante deixar claro que eu não estou performando, nem me passando por quem eu não sou. Vou na contramão do que o algoritmo espera das pessoas. Eu faço o que quero, não o que o algoritmo quer.
Sabem, Michel Alcoforado, que atualmente é conhecido como “sociólogo dos ricos”, grande comunicador, já era conhecido nos ciclos “intelectuais”. Eu o vi falando sobre amores líquidos na era dos aplicativos de relacionamento e das redes sociais. E ele disse uma frase perfeita:
Que Bauman e o mundo líquido começam a ser banalizados quando chegam à advocacia, quando advogados começam a citar Bauman em peça jurídica. E que meme acaba quando a Claudia Leitte compartilha.
Ele diz também como nesses aplicativos as pessoas montam uma imagem que não são. E quando elas marcam o primeiro encontro, por mais que se conheçam pelas redes, é sempre tenso, porque muito possivelmente vão descobrir que são diferentes do que mostravam. É o amor líquido de Bauman, que escorre pelos dedos.
E a sociedade do espetáculo de que falava Vargas Llosa: em que o debate fica entre um cantor sertanejo e um comediante de sunga discutindo uma sandália na embaixada brasileira em Roma. Por mais que eu tenha dado risada com o texto, esse é o nível do conteúdo que faz sucesso.
A Gabriela Prioli, advogada e, sem ironia, que fez sucesso ao humilhar Caio Coppola — que além de cometer a heresia de usar o mesmo sobrenome de Francis Coppola só por estilo, já era um boçal na antiga CBN — hoje é mais conhecida por sua beleza, por fazer dancinhas, pelo seu nível corporal.
E o seu namorado é o que chamo de meio homem, ou homem parcial, ou “sabor homem”: interessante, tem “gosto”, mas não essência de homem.
Ele é um DJ que não sabe nada de música; é um rico sem elegância; sem inteligência; sem corpo; e nem beleza — mais para um galã feio. Mas, em época de redes sociais, ele sabe performar bem para o algoritmo. E isso é o que importa. As fotos dos dois juntos dão bastante like.
Como previu o Porta dos Fundos, bebês cujas fotos não derem like ou gerarem engajamento serão trocados na maternidade — talvez até por bebês reborn ou cachorros.
É essa crítica que faziam Llosa, Bauman — e também eu.