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O Palmeiras teve o título de ser eliminado por todos os campeões do ano: Chelsea, Flamengo e Corinthians. Parabéns.
O futebol ensina muito mais do que esquemas táticos ou resultados de domingo. Ele educa afetos, expõe ilusões e, sobretudo, molda caráter. Nem sempre vence quem faz tudo certo. Nem sempre cai quem erra. E talvez seja exatamente por isso que ele se pareça tanto com a vida.
Aprendemos cedo que virtude não garante sucesso e que a sorte é completamente indiferente ao esforço. A falta dela atinge até quem age corretamente — pessoas boas, inocentes, disciplinadas. O futebol apenas dramatiza essa verdade com noventa minutos, um placar e uma arquibancada.
Mesmo fazendo praticamente tudo errado — salários atrasados, dívidas bilionárias, corrupção, má administração e um elenco incompatível com o orçamento — há clubes que seguem competitivos. Do outro lado, há projetos sólidos, construídos ao longo de anos, com contas em dia, boa governança e investimento histórico, fruto de trabalho consistente e planejamento de longo prazo.
Ainda assim, a vida não é sobre justiça imediata; é sobre processos. E processos não prometem finais felizes — apenas coerência. Fazer tudo certo não imuniza ninguém contra o acaso. O máximo que oferece é dignidade no percurso.
Há times que passam décadas sem vencer nada, perdendo jogos nos acréscimos, colecionando frustrações. E, ainda assim, a câmera encontra na arquibancada alguém acenando feliz, como se estivesse ali para performar, não para viver o que acredita. Esse tipo de postura não honra a derrota — a banaliza.
Torcer não é encenar. Não é sorrir para a lente. É sustentar uma fidelidade que não depende de aplauso nem de narrativa fácil.
No começo do próximo ano, o Palmeiras não terá o Allianz Parque. Jogará em Barueri — longe, hostil, desconfortável. Demorará mais para chegar. Será menos acolhedor. Nem por isso deixarei de ser sócio-torcedor. Estarei lá desde o Paulistinha, apoiando, acreditando no processo.
Esse é o papel de quem ama o que acredita: permanecer quando o conforto acaba. Como disse Lutero, “aqui estou; não posso agir de outra maneira”. Trair minhas paixões seria, isso sim, a verdadeira derrota.