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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

EU SOU HUMILDE ATÉ DEMAIS

(E NÃO É PIADA)

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

Paulo Muzy afirma ser amigo de Cristiano Ronaldo e acompanhar, há pelo menos quatro anos, a preparação do atleta para chegar bem a próxima Copa. Confesso que, como homem do futebol e observando o que Cristiano vem jogando, considero isso improvável. Ainda assim, o relato é revelador: segundo Muzy, Cristiano Ronaldo é atleta no sentido mais rigoroso do termo, até acima do que o necessário. Não há uma vírgula fora do lugar em sua rotina. Não bebe, não fuma, não sai da dieta, cuida obsessivamente da recuperação e investe nos aparatos mais modernos.

 

O ponto central não é o carro que dirige ou o jato que possui, mas quanto ele investe naquilo que constitui o núcleo de sua profissão: o próprio corpo e sua carreira. E ele investe mais do que o necessário. Em contraste, há outros — como Neymar — cujo talento bruto dispensa apresentações, mas cuja relação com a disciplina é "intermitente". É por isso que Cristiano Ronaldo, mesmo sem o talento bruto de alguns gênios naturais, tornou-se um dos maiores jogadores da história e um dos maiores atletas do planeta.

 


 

ATLETA COMO MODO DE EXISTIR

Trazendo isso para a vida real, percebo que minha rotina atual está muito acima do que seria estritamente necessário às minhas demandas. Afinal, não compito com ninguém — a não ser comigo mesmo. E, por isso, meu competidor é o mais feroz que existe.

 

Ser atleta não é uma essência fixa, algo que se “é” ou “não se é”. É um modo de estar no mundo, um estilo de vida. Algo transitório, que pode mudar. Justamente por isso, o uso indiscriminado da palavra “atleta” para certos fisiculturistas e marombeiros é, no mínimo, impróprio.

 


 

ROTINA, CÁLCULO E REALIDADE

Lembro-me do um rapaz que afirmou que minha rotina não era aplicável a ninguém, que seria loucura (claro, foi ontem) — Pode não ser aplicável pra ele e as demais pessoas. Para gente da estirpe de um Cristiano Ronaldo e eu, sim

 

Minha rotina é programada. Eu a concebo e a executo. Ela faz parte de um planejamento feito sob medida, considerando com rigor meu gasto energético real. Eu consumo quase 4.000 calorias por dia. Se eu deixar de gastar cerca de 1.000 calorias, que é o gasto aproximado que tenho com os dois treinos diários, manhã/tarde — hoje destinadas à construção de massa magra — e mantiver essa ingestão, a conta simplesmente não fecha. O resultado é óbvio: engordar.

 

Enquanto não aumento meu gasto por meio da construção corporal, se desejo continuar me alimentando bem e usufruir dos benefícios de uma nutrição adequada, preciso gastar energia. Isso não é ideologia; é aritmética fisiológica. É possível emagrecer comendo menos do que o corpo necessita? Sim. Mas, em geral, isso cobra seu preço na saúde.

 


 

DISCIPLINA TAMBÉM É INTELIGÊNCIA

Arrisco dizer que, se Paulo Muzy analisasse minha planilha de treinos, meu controle detalhado de gasto calórico em Excel (Numbers) e a forma rigorosa com que registro cada caloria ingerida, dificilmente deixaria de elogiar. Mesmo com todo o staff, nem Cristiano Ronaldo possui uma acurácia cotidiana tão precisa quanto a minha.

 

E aqui entra um ponto delicado, mas verdadeiro: emagrecer e manter um corpo funcional não é apenas força de vontade. É capacidade intelectual. É entender sistemas, variáveis, causalidades. Nesse aspecto específico, afirmo sem constrangimento que sou mais inteligente do que Cristiano Ronaldo. Ele tem talento esportivo excepcional; eu tenho inteligência aplicada à disciplina. São campos distintos.

 


 

HUMILDADE INTELECTUAL

E sou humilde — mas não no sentido de flagrar em mim uma lacuna que gera diminuição de potência, como diria Espinosa. Minha humildade é de outra ordem: trata-se de humildade intelectual. O clássico “só sei que nada sei”. Estou sempre disposto a aprender.

 

Posso afirmar, sem falsa modéstia, que detenho um conhecimento avançado em filosofia, sociologia, psicologia, humanidades em geral, cinema, literatura e letras. Ainda assim, utilizo o ChatGPT não como muleta, mas como instrumento dialógico — em sentido rigorosamente socrático. A maiêutica, cujo nome remete ao parto (alusão ao ofício da mãe de Sócrates), parte dessa ideia fundamental: a verdade não é implantada de fora, ela é trazida à tona a partir do que já está em você, gerando algo novo à vida.

 

Uso, portanto, a base de dados da inteligência artificial para dialogar com meu repertório e produzir síntese — não para terceirizar o pensamento. Negar a IA, hoje o maior avanço tecnológico em curso, não é humildade; é soberba. E são justamente esses profissionais que, por arrogância ou negação, estão fadados a serem substituídos por ela.

 


 

CRIATIVIDADE NÃO É MECANIZÁVEL

Isso não se limita à educação física. Penso, por exemplo, em uma “amiga” advogada que se dedica obsessivamente à burocracia da profissão, tentando decorar leis como se fossem feitiços de Harry Potter. Trata-se de um trabalho mecânico, já claramente destinado à automação por inteligência artificial.

 

Não por acaso, muitos dos patrocinadores do podcast de Clóvis de Barros Filho são advogados que compreenderam isso. Delegaram à IA as tarefas repetitivas e preservaram para si aquilo que nenhuma máquina consegue reproduzir: pensamento estratégico, criatividade, discernimento.

 

Quando a única distinção profissional de alguém é a execução mecânica, essa pessoa já está obsoleta. O mesmo vale para certos profissionais da educação física que se arrogam um monopólio do saber sobre corpo e esporte — algo frequentemente desmentido pelo próprio corpo que habitam. Dizer que só eles entendem de físico ou performance equivale a afirmar que o melhor treinador de futebol é, necessariamente, um professor de educação física. A realidade insiste em contrariar essa fantasia.

 


 

EDUCAÇÃO COMO MARCA DE CARÁTER

Há ainda a questão da educação. Trabalhei diretamente com público por um período e, mesmo quando não o fiz, sempre lidei intensamente com pessoas — em vendas, em funções comerciais, em contextos técnicos. A marca que salta aos olhos quando alguém me encontra é a educação.

 

Sim, parte dela vem do berço, mas outra parte é adquirida, cultivada, trabalhada. Gentileza é prática, não ornamento. Alguém que trabalha com pessoas e não possui o mínimo de educação, tratando o público com rispidez, não demonstra “autenticidade”: revela apenas pobreza de habilidade social e limitação de repertório cognitivo. Em última instância, é uma falha grave de caráter.

 

Com esse tipo de pessoa, ajo de forma simples: cumprimento, escuto educadamente o que eventualmente tenha a agregar — e nada mais. Isso basta.

 


 

HUMILDADE, SILÊNCIO E RESULTADO

Sou humilde porque sei de tudo isso internamente e guardo para mim. Meus leitores — os que são inteligentes — também percebem que o que afirmo é verdadeiro. Basta observar a média, ou quase a totalidade, de quem frequenta academias: ausência completa de bom senso estético, planejamento inexistente, ruído em vez de método.

 

Não vale a pena discutir. Se eu discuto com um louco, o louco passo a ser eu — não ele. É como jogar xadrez com um pombo: ele derruba as peças, defeca no tabuleiro e ainda sai convencido de que venceu. O idiota não é o pombo; é quem aceitou jogar.

 

Por isso, escolho o silêncio. E deixo que o resultado se imponha por si mesmo, de forma inequívoca, através da prática — e, inevitavelmente, da imagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 16/12/2025
Alterado em 16/12/2025
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