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A estética dominante do fisiculturismo é, sem rodeios, de um mau gosto histérico e ostensivo. Qualquer pessoa minimamente familiarizada com o mundo do bom gosto, da moda, do esporte de alto nível ou da elegância corporal reconhece isso de imediato. Não é por acaso que nenhuma marca culturalmente relevante deseja se associar a esse universo. O corpo é tratado com a mesma falta de sutileza com que se vestem, se expressam e se apresentam ao mundo.
O resultado é previsível: fora do ambiente da maromba, não sabem falar de nada — e, muitas vezes, mal conseguem falar dentro dele.
Com todo respeito, quem já frequentou esse ambiente por tempo suficiente percebe um dado incontornável: observa-se a média. E, ao observar a média — inclusive daqueles que se dizem assessores, especialistas ou referências — nota-se algo curioso: resultados discretos, quando não inexistentes. Em certos casos, ironicamente, nem neles próprios.
Frequentando academia há menos de um ano, falo pouco, mas observo muito — comportamento de quem escreve. E, em termos de modificação corporal, é impossível não chegar a uma conclusão incômoda: fui, disparadamente, quem mais mudou.
Meu foco sempre foi simples: reduzir gordura corporal mantendo massa magra, com o objetivo de definir o abdômen. Em cerca de três meses, saí de mais de 20% de gordura para aproximadamente 11%. O abdômen ainda não aparece plenamente — anos de sedentarismo cobram seu preço. Ainda assim, trata-se de um resultado que muitos considerariam improvável, quando não impossível, mesmo com recursos químicos ou cirúrgicos. Era impossível. Só esqueceram de me avisar.
Sinceramente, hoje não sei se repetiria exatamente o que fiz. Mas sei com absoluta clareza que, se tivesse seguido o roteiro padrão de academia, não teria mudado uma vírgula do meu corpo.
Tenho, sim, limitações motoras evidentes em exercícios multiarticulares que exigem refinamento postural. Isso é experiência — e ela se adquire com o tempo. Meu universo sempre foi o do esporte de verdade, aquele em que existe uma bola em disputa. Minha evolução veio menos de uma técnica perfeita e mais de consistência, método e controle rigoroso de calorias.
Recentemente, ao pedir auxílio em um exercício (hoje rs), ouvi de um instrutor que minha planilha de treino estava “completamente errada”, que não era aplicável a ninguém daquela academia e que, se descobrisse que era feito pelo ChatGPT, me mandaria embora rs. Eu deveria ter rido internamente. Não consegui. Perguntei se ele era negacionista da tecnologia.
Ele pode até ter seus troféus locais, sei lá, seus prêmios de fisiculturista de bairro rs — mas estética não se mede assim. Façamos um teste: pergunte às mulheres da academia — ou melhor, mulheres normais, porque aquelas também costumam sofrer do mal gosto — quem tem mais sexy appeal entre nós dois. O gosto feminino não coincide com o gosto masculino. Ainda bem. O aumento de mulheres (bonitas, em) que começaram a treinar, 'coincidentemente", no mesmo horário que eu responde a pergunta. A academia deveria é me agradecer pela minha beleza e elegância trazer novos clientes, e querem me mandar embora (risos) ?
O argumento dele partia da própria experiência — não da minha fisiologia. Se eu parasse, de um dia para o outro, de caminhar diariamente e treinar duas vezes ao dia, ele não imagina a desorganização que isso causaria no meu corpo. Se eu comesse sem considerar o gasto que tenho, voltaria ao que era antes em poucas semanas. Ou seja: ficaria igual à maioria da acadamia, esses, que ele assessora.
Meu resultado se expressa nas fotos, na criatividade, na aparência, no bom gosto. Como lembra Nietzsche, aquilo que tem valor não precisa ser demonstrado.
Ainda assim, mantenho a humildade de aprender com quem sabe mais do que eu em aspectos específicos — postura, ajustes técnicos, refinamentos. Mas sem alterar uma única vírgula do meu método.
Postura é fundamental. Essencial para a saúde, para a longevidade articular. Mas não é o núcleo da hipertrofia. O corpo não “entende” estilo, estética formal ou biomecânica idealizada. Ele responde a estímulo, recuperação, consistência e adaptação.
A ironia dirigida à tecnologia é sintoma clássico de profissionais que pressentem sua própria substituição. Na minha área, por exemplo, o tema que mais estudei na vida foi gramática. Escrevo há mais de vinte anos. O ChatGPT surgiu ontem. Ainda assim, uso a ferramenta para ganhar tempo, revisar, editar, corrigir. Isso não diminui minha autoria. Apenas a torna mais eficiente.
Ele jamais escreveria por mim, ser capaz de escrever o que escrevo, da forma que escrevo. No fundo, quem está no controle, quando há consciência, é sempre o homem.
Quem já treinou sabe do que estou falando. Para ele, eu deveria seguir o “treino básico de hipertrofia” da planilha padrão. Fica o convite: siga esse conselho, observe as fotos dos “marombeiros” que dominam a academia e, depois, entre no meu Instagram, a saber, daveledave1991.
Com todo respeito — como diria Nietzsche — o que tem valor não precisa ser demonstrado.