MINHA "FILOSOFIA" É UMA "FISIOLOFIA"
DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
A tradição filosófica sempre buscou condensar, em uma única frase, a ética de uma vida inteira: “a existência que precede a essência"; "O existencialismo é um Humanismo"; as sentenças que tentam salvar o mundo pela palavra. Eu também formulei a minha — e ela soa simples, quase corporal:
Minha filosofia é uma fisiolofia.
Fisiolofia: fusão de fisiologia com filosofia. Um modo de pensar que nasce do corpo, atravessa a pele, vibra no sistema nervoso e retorna como sabedoria. Uma ética que não se constrói apenas pela razão, mas pela leitura afetiva do mundo e dos sinais que o corpo envia ao pensamento.
As evidências da neurociência são claras: o ambiente nos atravessa por meio dos afetos; o corpo traduz esses afetos em variações fisiológicas; e o cérebro, lendo esses sinais internos, fabrica o pensamento — ora mais otimista, ora mais pessimista. Uma nutrição insuficiente, uma fadiga aeróbica, um sono irregular: tudo isso pode gerar uma percepção negativa, quase uma crença de fraqueza, não porque seja verdade, mas porque o corpo sinaliza escassez, e o cérebro traduz essa escassez em pessimismo.
Ao mesmo tempo, quando o corpo está nutrido, regulado e desperto, os pensamentos se tornam mais luminosos. A potência cresce, o desejo se expande, a vida se intensifica.
Não há separação entre corpo e pensamento: um produz o outro, um interfere no outro, um amplia ou contrai a potência do outro. Talvez não possamos escolher diretamente os pensamentos que surgem — o desejo sempre quer se expandir, sempre busca mais energia —, mas podemos intervir naquilo que antecede o pensamento: os afetos que atravessam o corpo e o ambiente que amplifica esses afetos.
Reorganizar o ambiente é reorganizar a mente. Refinar o corpo é clarificar o desejo. Intensificar a vida é tornar-se capaz de pensamentos mais saudáveis, mais criativos, mais verdadeiros.
Meu autoconhecimento fisiolofal é simples e empírico:
Ambientes frios e luminosos favorecem minha energia.
Álcool destrói minha vitalidade.
Proteína leve e arroz negro, o mais natural, regulam meu organismo.
Chocolate me alegra, mas cobra um preço.
A atividade física é bússola e compasso: dá ritmo à melodia do dia.
Operar com superávits e déficits leves, entender que cada caloria ingerida é uma possibilidade futura de ação, reconhecer que um corpo esteticamente belo favorece minha criatividade — tudo isso é ética prática, não vaidade. É fisiolofia aplicada: o corpo como instrumento do pensamento, e o pensamento como expansão da vida.
A melhor suplementação é comida de verdade.
Nada é mais anabólico que o sono e a consistência.
Dormir mal destrói meu humor, minhas ideias e minha potência — portanto, é inegociável.
O melhor sono é o conquistado naturalmente, e não induzido. Suplemento apenas o que a comida não dá: creatina, eletrólitos e, com certa poesia bioquímica, ashwagandha — que reduz o estresse e aumenta a libido, o que é sempre um sinal de vitalidade.
O whey não é apenas macro. É um gesto simbólico: um compasso diário que comunica os mundos aos quais pertenço. É um lembrete silencioso dos meus valores: quem toma whey e não álcool; quem prefere Powerade ao cigarro; quem escolhe potência em vez de entorpecimento.
Proteína nunca é demais — porque potência nunca é demais.