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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

Mulheres NÃO Usam a Palavra “AMOR” em Vão!

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

A VERDADE QUE HABITA O GESTO

Lembro-me de um episódio de The O.C., um estranho no paraíso, em que Marissa olha Ryan nos olhos e diz, com a fragilidade de quem se expõe por inteiro: “I love you”. Ryan, surpreendido, incapaz de corresponder na mesma altura, devolve apenas um burocrático “obrigado”. O momento se desfaz. O clima se esvazia. E Ryan, na sua típica insensibilidade masculina, não compreende por que aquela pequena distância entre palavras produziu um abismo.

As mulheres  não usam a palavra amor em vão — reconhecem seu peso, sua sacralidade — enquanto tantos homens, distraídos de si, a profanam por hábito.

Há algo profundamente ético, quase espiritual, na forma como nomeamos aquilo que sentimos. A tradição cristã mais fina — aquela que Paulo intuía e Tomás de Aquino refinaria séculos depois — nunca se ocupou de regras externas, mas da verdade interior dos gestos. O que nos desvia não é um ato isolado, mas a distância entre o que fazemos e o que verdadeiramente amamos.

 


 

A FIDELIDADE QUE COMEÇA EM SI

Viver um relacionamento que nega essa verdade íntima — seja por medo, convenção social, expectativa familiar ou simples obediência a um roteiro que não nos pertence — é trair algo essencial. Não ao outro, mas a nós mesmos. É viver uma vida emprestada, como quem recita promessas que não sente. E isso vale tanto para o casado quanto para o solteiro: ambos devem fidelidade ao que são, aos seus valores, e ao modo como cuidam de quem desperta seu afeto.

Porque o amor, quando é verdadeiro, não se sustenta em reputação nem em julgamentos externos. Sustenta-se em responsabilidade mútua: não alardear o íntimo como troféu, não transformar confidências em vanglória, não tratar o coração alheio como notícia de alto-falante. Quem respeita o amor — mesmo quando ainda não o vive plenamente — sabe que palavras carregam peso, e que a reputação de quem nos é caro não merece ser oferecida ao ruído do mundo.

O solteiro, sobretudo, carrega uma promessa: ser fiel a si antes de qualquer compromisso. Só assim a palavra “amor” deixa de ser gesto vazio. E quando enfim for oferecida, que seja com verdade, com inteireza, com o cuidado de quem sabe que sentimentos não são slogans para impressionar plateias, mas vínculos discretos, exigentes, silenciosamente luminosos.

 


 

O DOM DO BOM GOSTO

Essa fidelidade aos meus próprios valores também me obriga a falar do bom gosto, que considero um dom raro. A Providência, em sua sabedoria quase irônica, não o distribuiu igualmente. Penso numa confeitaria — e em quem a comanda — como exemplo vivo disso. Há ali mais do que técnica: existe delicadeza, suavidade de gesto, sinceridade nas ações.

Ela confeita, administra a identidade social do negócio, cuida das promoções, organiza as redes sociais, vai aos eventos, representa a marca. Escolhe as roupas com precisão estética tão notável que até eu as usaria, não como uniforme, mas como camisetas casuais do meu próprio dia a dia. Uma mulher assim merece o melhor ao seu lado: alguém que enxergue tudo isso. Alguém à altura da fineza que ela entrega ao mundo.

Esse alguém, é claro, não sou eu. Eu apenas escrevo. O companheiro dela talvez exista; talvez eu o tenha visto certa feita, dando orientações aos funcionários na hora da limpeza, enquanto eu passava ao longe, observando — aquela banal coreografia social em que as mulheres fazem tudo enquanto os homens dão as ordens.

Elas, incapazes de usar a palavra amor em vão. E eu, tentando copiá-las ao ser fiel aos meus próprios afetos. A uma pessoa em particular, mais que todas.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 11/12/2025
Alterado em 11/12/2025
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