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Essa oração adversativa "mas"... já revela a alma deste texto: meu estilo é morde e assopra — só que, como eu sou eu, começo assoprando para depois morder.
Eslen Delanogare tem conteúdo. Tem consistência. Tem didática. Mas também desempenha um papel de coach. Há quem o veja como guru — e isso diz muito mais sobre o público do que sobre ele.
Mas aqui vai o assopro:
o Reservatório de Dopamina é um serviço fora de série.
O valor entregue é imenso pelo preço cobrado.
Eu digo sem rodeios: se eu fosse ser mãe… quero dizer, pai… eu assinaria agora mesmo. Pra ontem, logo após terminar de ler esse texto.
Por quê?
Porque o acervo é prático, baseado em evidências e voltado para necessidades reais — maternidade, neurociência do sono, para as primeiras horas do bebê, além de neurociência infantil e conceitos essenciais com aplicação concreta, sem charlatanismo.
Vejam:


Se alguém está prestes a ter um filho, os R$ 600 por ano são uma pechincha.
Falo com convicção e experiência própria (quer dizer, não que eu tenha filho, mas você entendeu...)
E mais:
Há conteúdo de desenvolvimento pessoal, nutrição, musculação — e tudo com clareza, simplicidade e uma pedagogia rara. Ótimo pra assistir ou escutar enquanto se pratica cardio, por exemplo.
Eslen é um excelente professor e terapeuta comportamental. Ponto.
Agora, a crítica:
Há nele uma ganância exagerada, quase performática.
O gesto de vender um livro de ficção na pré-venda com a justificativa “quero ajudar quem não gosta de ler” — cobrando R$ 75 na versão digital — não casa com a retórica.
Aí não, né, meu caro.
César merece o que é de César.
E, pelo que vejo da escrita dele, convenhamos:
ele se comunica muito bem — mas escrever literatura não é seu forte.
Passei álcool antes de morder.
Agora, eu mordo.
Nietzsche foi o crítico supremo dos gurus — e, ironicamente, tornou-se um.
A diferença?
Ele sabia disso.
Por isso, abandona seus discípulos em Zaratustra e afirma que retribuímos mal ao mestre tornando-nos eternamente alunos.
Nietzsche é materialista — mas transborda misticismo: eterno retorno, amor fati…
Nada disso tem paralelo com a realidade física temporal.
Mas o ponto é outro:
ele não pretendia que fossem verdades físicas, mas ferramentas de avaliação existencial.
O eterno retorno não é cosmologia: é espelho.
Admiro Ecce Homo, onde Nietzsche narra sua ciência sobre si:
como ambiente, alimentação, clima e leitura afetam energia vital, criatividade e saúde.
Só quem conhece na própria pele a oscilação de energia que o mundo nos causa entende o valor disso.
A vida exige sensibilidade — não manual.
Vivemos numa sociedade que desconfia da solidão.
Nietzsche, porém, revela o contrário:
o pensamento profundo nasce na distância, no silêncio, nas montanhas.
O Zaratustra que desce do ermo passa por metamorfoses:
camelo (o que suporta),
leão (o que ousa romper),
criança (o que cria o novo com inocência).
A criança é símbolo de recomeço — e recomeços só nascem longe do barulho da multidão.
No “mercado”, somos sugados como por "moscas", a manada: temas supérfluos drenam nossa energia vital.
A criação nasce em silêncio.
Nietzsche conclui algo essencial:
as pessoas não sabem o que querem até que alguém lhes mostre.
Por isso buscam gurus.
Reis.
Falsos profetas.
Influencers.
Coaches.
Eslen.
Mas a verdadeira lição — a única que importa — é esta:
A verdade que você busca não está no guru.
Está em você.