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Pergunta tão absurda quanto óbvia: como seria a minha versão feminina?
A resposta não está no rosto — está na paleta.
Todos sabem as cores que regem meu dia a dia: cores que não gritam — cores que sugerem.
A mulher que me espelha seria assim: alguém que entra num lugar e só é percebida alguns segundos depois — não porque faz barulho, mas porque tem calma, precisão e um brilho próprio que não pede licença.
branco · preto · beges quentes · neutros silenciosos
Como saída de um filme de Wes Anderson ou de um filme francês cuja diretora sabe filmar a luz da manhã com a mesma intimidade que filma um rosto tímido.
Camisas lisas, oversized, soltas, de botão, gola rolê, tricôs finos, cardigãs neutros.
Calças retas ou alfaiatadas — tecidos confortáveis, elegantes, honestos.
Saias midi fluidas, movimento suave (nunca dramático).
Jaquetas leves para a manhã fria.
Tênis limpos ou sapatos baixos minimalistas.
Sandálias e rasteiras quando o sol decide amar.
A estética dela seria: “cuidada, mas sem esforço; feminina, mas sem teatralidade.”
Regatas estruturadas, sem decotes exagerados — feminilidade discreta, quase cinematográfica.
Aquela estética que não grita “olhem pra mim”, mas que inevitavelmente prende o olhar de quem entende proporção, harmonia, luz e sombra.
Diferente daquela vez — lembra? — em que confundi a “pudica” (a que chamei de Helena) com outra mulher. Hoje vejo que não poderiam ser mais diferentes:
uma discreta, a outra exibida.
Aquela exibição que desfavorece a beleza da manhã, acentuando imperfeições que o silêncio disfarça.
É o tipo de atenção que pede atenção — e quanto mais pede, menos recebe.
Existe um termo na moda: disfuncional closet.
E dentro dele, um clássico: visible panty line.
Algo que, na minha opinião — humilde porém treinada — uma mulher tenta evitar.
E, se não der, existe solução simples: uma camisa cobrindo a legging.
Isso nunca enganou ninguém.
Aqui eu me auto-engano: meu bom gosto pede uma coisa; meu corpo, outra.
Porque me dá vontade de treinar ao mesmo tempo em que me tira o foco quando vejo certas garotas violando essa regra primordial da estética funcional.
Como homem e esteta, digo: quanto maior a underwear da panty line, mais disfuncional o visual se torna.
Dizem que o modelo “thong” ou “g-string” oculta essa linha.
Eu não acredito muito nisso — quando observo discretamente. algo que a Capitu nos ensina, com seus olhos obliquos e dissimulados.
Mas admito: esses modelos, ao meu olhar, tornam tudo mais aceitável — porque são mais sexy.
Embora, se exagerados, caiam no vulgar.
A linha é fina, como quase tudo que envolve beleza.
Se duvida, faça o teste:
pense em Gisele.
Pense em qualquer modelo da Victoria’s Secret.
Você consegue imaginar alguma delas usando underwear de vovó?
Pois é.
Nem eu.
Respeito quem usa o argumento do conforto — mas não dá para comparar sensualidade, proporção e impacto visual entre um modelo e outro.
E não me venha com renda, sedinha ou drama: se for feio, é feio. Material nenhum salva desproporção.
Agora, coloquemos as coisas no devido lugar:
estou falando de mulher.
Quem não for mulher e estiver usando underwear de mulher, recomendo: procure o psiquiatra mais próximo, talvez um CAPS.
Talvez se internar.
Talvez nunca mais sair de lá.
— Com carinho, ironia e precisão estética.
DAVE LE DAVE II (Sim, ele mesmo)