
Não tentem me subornar com sexo, garotas.
A probabilidade de isso dar certo comigo é praticamente 99,9% — com margem de erro de 1, para mais.
É apelação.
Essa capacidade que a mulher tem para o detalhe — essa sutileza de expressar desejo, de falar nas entrelinhas, de comunicar mais pelo gesto do que pela palavra — isso é impossível de imitar.
É justamente aí que reside o poder de sedução.E a atração que vocês exercem em nós.
E Paulo Leminski dizia que há tanta poesia no emissor quanto no receptor. Tanto em quem cria quanto em quem apenas acolhe a criação. Se você ama a linguagem poética — que é a mesma linguagem do amor — então você já é poeta também. Daí nasce o axioma desse silogismo evidente: toda mulher já nasce poeta.
Elas seguem o mandamento de Delfos, o antigo “conhece-te a ti mesmo”, e usam o que têm de melhor para nos encantar.
Quem tem cabelo bonito, solta.
Quem possui pernas longas e esbeltas, anda de saia.
Quem é mais cheinha — e, justamente por isso, tem busto volumoso — valoriza o decote.
E assim por diante.
Cada uma usa aquilo que é seu, aquilo que a natureza lhe deu, como se fosse linguagem secreta.
Mas, como as sereias, para mim a voz é muito importante.
Ouvir quem se gosta tem efeito afrodisíaco — mesmo que seja só sonoplastia: um suspiro, um riso contido, uma pequena onomatopeia de contentamento.
O prazer tem sua própria gramática.
Alguns sons são hipérboles do desejo — e, nesses momentos, o que poderia ser um insulto vira elogio, e o que seria banal torna-se íntimo.
A única coisa com a qual eu não concordo é com a mulher que abandona a disputa afetiva por medo.
Porque é melhor arriscar do que se arrepender.
Exaltam o poder feminino, mas relegam toda a responsabilidade da conquista aos homens.
Se eu fosse como algumas mulheres — inteligente, consciente do próprio valor, espirituosa — e visse alguém que me interessa, eu não me resignaria.
Nem sairia de cena para que outro roubasse o que poderia ser meu.
Eu diria, silenciosamente:
“Já é meu — e ele nem sabe.”
Se é para poucos, então é para mim.
É por isso que eu gosto de sentir ciúmes — e sinto ojeriza da inveja.
O ciúme, para ser sincero, me machuca.
Dói porque me importo.
Às vezes dói no dia inteiro: vou dormir triste, muito triste.
Acordo até com aquela sombra leve de depressão.
Mas ele não me paralisa.
Eu respiro fundo — e isso me dá forças para ser cada vez melhor.
Foi assim que cheguei até aqui.
Pode parecer pouco para muitos; para mim, é bastante.