× Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links
DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

DIFÍCIL NÃO SE APAIXONAR POR ALGUÉM CHAMADO MARIA CLARA

 


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR
 


 

A CORAGEM DE UM NOME

Espinosa tem uma história curiosa — e corajosa.

Estamos no século XVII, um tempo profundamente religioso, dominado pelo catolicismo e pelas contracorrentes da Reforma que Lutero havia deflagrado.

Ambos, cada um a seu modo, desafiaram gigantes.

Lutero confrontou a Igreja Católica e inaugurou o protestantismo — que hoje rivaliza com a própria instituição que tentou destruir.

 

Espinosa, embora igualmente ousado, tornou-se conhecido apenas entre aqueles que realmente pensam. Sua revolução é silenciosa, íntima, subterrânea — como se fosse necessária certa profundidade de alma para alcançá-lo.

 

É famosa a frase de Lutero: “Aqui estou eu. Não posso agir de outra forma.”

Nietzsche adorava repeti-la. Via nela a coragem de ser o que se é diante de um poder colosal — o mesmo poder religiosos que, ironicamente, pretendia ditar até os afetos humanos.

 


 

O PODER COMO DANÇA

Foucault — muito influenciado por Nietzsche — dizia que o poder não é uma coisa fixa, sólida, como se alguém simplesmente tivesse ou não tivesse.

Para ele, poder é sempre uma relação, um encontro entre forças. Nada nasce pronto: as forças se chocam, disputam, se reorganizam… e desse movimento nasce uma forma.

 

A polícia é uma forma.

A escola é outra.

A família, outra.

Até um relacionamento é uma forma: duas forças criando um pequeno mundo.

 

Essas “formas” não são permanentes — são estados momentâneos de equilíbrio.

Por trás delas, sempre existe um jogo vivo entre impulsos, desejos, limites, vontades.

 

Nietzsche chamava essa energia de vontade de potência.

É a força vital que move a gente: o calor interno, a libido, o impulso de criar, agir, viver.

 

Ele dizia que sentimos isso no corpo:

 

quando a potência aumenta, sentimos alegria;

quando diminui, sentimos tristeza;

quando encontramos a causa do que diminui, nasce o ódio;

quando encontramos a causa do que aumenta, nasce o amor.

 

É simples e profundo:

amor é o que nos faz crescer por dentro,

tristeza é o que nos esvazia,

ódio é a reação contra o que nos diminui,

alegria é o corpo celebrando o aumento da própria força.

 

Essa forma de entender os afetos vem de Espinosa — o filósofo que Nietzsche chamava de “irmão”.

E pode acreditar: para Nietzsche chamar alguém de “irmão”, essa pessoa tinha que ser realmente extraordinária.

 


 

MARIA CLARA: A FILHA DO FIDALGO

E reza a lenda que Espinosa só começou a filosofar sobre os afetos por causa de uma rejeição amorosa.

 

Ele era português e conheceu a filha de um fidalgo chamada Maria Clara.

Não sabemos se ela o achou feio, gordinho, estranho, ou se simplesmente não compreendeu suas cartas — o fato é que o rejeitou.

E, convenhamos, é compreensível: é difícil entender Espinosa até hoje.

 

Mas há uma beleza nesse nome Maria Clara que quase nos permite antever a própria pessoa.

Alguns nomes carregam uma luz particular: Helena, Juliana, Maria Clara…

Nomes que parecem anunciar não apenas beleza física, mas uma qualidade espiritual — como se a alma brilhasse antes do rosto. Contrariando Shakespeare que dizia : Qual a importância de um nome? A rosa não teria igual perfume se chamasse de outra maneira? Me desculpe, Bardo, mas não: a rosa só é cheirosa porque se chama rosa e Maria Clara só é bonita porque chama-se Maria Clara.

 

(Voltando. Presta atenção aqui em mim!

Você acha que não se que você distraiu com toda essa explicação e foi olhar o Instagram da amiga falsiane por dois segundos. Eu sei. Se eu tivesse um giz, tacaria em você — e caso eu não fosse alérgico a giz também, claro).

 


 

O PODER TRANSFORMADOR DAS MULHERES RARAS

Algumas mulheres têm essa capacidade silenciosa e devastadora: mudar um homem apenas por existir.

Com a simplicidade da sua presença, alteram o curso de uma vida inteira.

 

Oferecem-nos prazeres, enquanto  o que procurávamos eram virtudes — até que finalmente as encontramos em alguém.

Ao vê-la, compreendemos algo sobre nós mesmos.

É aí que descobrimos que o encanto do amor depende da qualidade da alma de quem o inspira.

 

Com essa inspiração, tentamos criar algo belo:

Espinosa fundou uma filosofia inteira.

Eu, mais modesto, tento apenas escrever.

E, às vezes, isso basta para tocar alguém — mesmo que discretamente, mesmo que de longe.

 

 

 


 

 

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 30/11/2025
Alterado em 01/12/2025
Comentários