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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

AMOR E SEXO SE APRENDEM COM O TEMPO

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

Eu demorei, mas aprendi com o tempo que sexo e amor são habilidades — e, como qualquer habilidade, podem ser treinadas, aperfeiçoadas, refinadas.
A vaidade do homem treme ao admitir isso. Mas é assim: tem gente que ganha fôlego com musculação; outros, com treino de resistência.
No amor, é igual.
No sexo, mais ainda.

 



Mexe com a vaidade do homem admitir que não entendia sobre sexo como se imaginava, pensa-se que é algo inato, que já se sabe intuitivamente, ou mesmo se adquire através da prática constante, sem estudar.

 

Achar que alguém “nasce sabendo” é tão ingênuo quanto achar que paixão resolve tudo.
Um relacionamento sem amor e sem sexo é como um time que chega à final sem meio-campo: pode até entrar em campo, mas está fadado a perder antes do apito inicial.

 

Assim como algumas pessoas têm melhor capacidade aeróbica porque treinam, insistem, evoluem, o mesmo vale para o amor e para o sexo. Esses valores dois elementos essenciais para um relacionamento verdadeiramente saudável persistir.

 

Relacionamento sem esses dois pilares é como futebol: às vezes, basta olhar para o time para saber que vai dar errado. Pessoas que se dizem “especialistas”, mas chegam numa decisão sem volantes, incapazes de fazer o básico — o simples — para sustentar o jogo (ou relacionamento). Assim são muitos homens: conquistam a confiança da companheira no começo, e depois não fazem mais nada além disso para preservá-lo O resultado é previsível: dá errado.

 

O que mantem um relacionamento não é controle — é entrega.
Não controlo o amor da outra pessoa.
Não controlo o prazer dela.
Mas controlo o meu gesto, o meu toque, o meu cuidado, a minha capacidade de aprender quem está comigo.
E saber que estou sendo lido, escutado e entendido — talvez por alguém especial — é o que me traz tranquilidade.
A felicidade não está no outro, nem no dinheiro, nem num time.

 A felicidade está — e sempre esteve — em mim. Não no resultado em si, como a vitória, , simplesmente na conquista, ou ainda desfrutar da sua presença: como um título de futebol... digamos, hipoteticamente,  da libertadores… Quem me faz feliz é mais importante que qualquer taça, qualquer prêmio ou troféu. A verdadeira gloria eterna não é a Libertadores, um mero slogan comercial, mas sim desfrutar da companhia (mesmo que silenciosa) de quem nos inspira de verdade.

 


 

OUVIR A MULHER

Somos moldados por uma sociedade que estimula o homem a só considerar o próprio desejo.
Mas sexo — o sexo bom, profundo, inesquecível — só acontece quando aprendemos a escutar o desejo feminino.
Rubem Alves dizia: hoje todos querem curso de oratória, ninguém quer curso de escutatória.
No amor é igual: quem não escuta, não ama.

 

O que mudou em mim foi simples e profundo:
mais importante do que meu desejo, é o desejo de quem escolhe estar comigo.
E tudo o que aprendi sobre amor, aprendi com mulheres — escutando-as.

 


 

O DESEJO QUE É CONCEDIDO 

Na intimidade, acredito que o verdadeiro prazer não é o verbalizado, mas o intuído. Aquilo que nasce da química entre dois corpos que se reconhecem, antes mesmo do gesto. No prazer que antecede o toque. O desejo dela espelhando no meu, e o meu se moldando ao dela. É um desejo que não é tomado — é concedido. Livremente. Por afeto. Por escolha.

 


 

DESEJO CONTIDO

Quando escrevi aquele meu texto erótico — Desejo Contido — tentei vestir a linguagem do feminino.
Mas, se você remover o véu das palavras, vê o que está lá:
meu desejo, nu.
A minha fantasia.

E fantasia não é fetiche.
O fetiche só vive se realizado.
A fantasia vive mesmo que nunca aconteça.
Ela existe para acender, para preparar, para anunciar.

A Fantasia acrescenta, amplia, dobra a realidade; ela dispensa a concretização.

 

Se fosse uma mulher narrando, ela falaria da pele sob a pele, do calor do beijo, do cheiro do amante ficando preso nos lençóis.
As palavras dela viriam carregadas de imagem, toque, textura.
A minha linguagem é outra — direta, masculina — mas aprendi a escrever como quem toca devagar. 

 

Eu o escrevi tentando traduzir meu desejo para a linguagem da mulher. Mas se você lê sem o ornamento da linguagem, percebe: ali é o meu desejo masculino falando, revelado por dentro.

 

A linguagem feminina, porém, torna tudo mais doce, mais belo, mais sensorial. E poético.

 

 


 

ACENDER O CORPO PELA PALAVRA

O que eu quero, sempre, é ir além do corpo.
Quero que o prazer comece antes do toque.
Quero que a mulher se sinta mais sensual por minha causa.
Que se perceba desejável, bela, segura, sexy —
aquele sexy que existe um milímetro antes da vulgaridade.
Aquela fronteira fina onde a mulher não se sente exposta, mas adorada.

Se eu conseguir, com palavras, despertar nela um brilho, um gesto, uma postura nova…
se eu conseguir fazê-la caminhar como quem sabe que é desejada…
se eu conseguir fazê-la sentir algo no peito, no ventre, na pele…
então o sexo já começou — mesmo sem mãos, sem boca, sem cama.

Para mim, isso é cumplicidade:
conhecer o desejo dela ao ponto de acendê-lo sem tocá-la.
E, quando o toque vier, que seja a continuação natural de algo que já começou muito antes.

É isso que faz um relacionamento crescer, dia após dia:
quando dois corpos se encontram, mas antes disso, duas almas já estavam se procurando.

É esse ponto de prazer feminino que eu tento tocar — para além do corpo.

E, ao despertar prazer pela linguagem, ela acende o próprio corpo. Porque o erotismo não começa na pele: começa na imaginação dela.

 

Quero que ela se sinta mais sensual, mais feminina com meus elogios. E, principalmente, sexy. Que saiba da força da própria atração. Que seu estado de alma se revele na postura, no brilho dos olhos, no jeito de andar.

 

É importante, pra mim, que a mulher se sinta sexy por minha causa. Segura. Sensual. Desejada.

Que eu desperte nela algo que estava adormecido.

 

O sexy opera no limite entre o íntimo e o perigoso: ultrapasse um pouco, vira vulgar; mas no ponto exato, vira magnetismo puro. E, para mim, mais importante que desejo, prazer ou orgasmo é perceber que trouxe autoestima — sem tocar. Só com palavra. Só com presença. Só com linguagem.

 


 

CUMPLICIDADE

Que ela se sinta segura e leve. Livre ao meu lado.

Que essa leveza se converta no prazer de estar comigo — e não apenas na cama, mas no mundo.

 

Isso, para mim, é cumplicidade: entender o desejo da minha parceira e descobri-lo com o tempo.

É isso que faz o relacionamento ficar cada vez melhor.

 

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 29/11/2025
Alterado em 29/11/2025
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