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SE EU FOSSE MUITO RICO, EU SÓ IA COMPRAR AS PIORES MARCAS, MAS EM ENORME VOLUME, TIPO:
40 COPOS DE REQUEIJÃO TIO DON DON,
50 PACOTES DE RAFITU’S
Essa foi a parte do humor — aquela parte do homem brincando antes de falar “sério”…
Primeiro que não quero falar “ah, se eu ganhasse na loteria”.
Eu odiaria ficar rico por sorte e não por fruto do meu trabalho, mérito.
E estatisticamente é mais fácil ficar rico trabalhando do que apostando.
Eu aposto sim: em me tornar a melhor versão de mim.
Por isso hoje é tempo de cuidar do corpo — e cuidando do corpo eu cuido do espírito.
Algo que eu intuí: nos próximos anos, um shape bonito será um dos maiores status.
Mas sem conteúdo… isso não é nada.
Eu aposto sim — e já errei.
Na época da PUC, pelo convívio com o pessoal de Economia, comecei a estudar gráficos, ações, derivativos.
Tive contato com gente de corretoras, inclusive meu melhor “amigo” da época.
Eu me especializei no mercado de opção — derivativos que custam centavos, mas que, em grande quantidade, parecem prometer riqueza instantânea.
É claro que perdi dinheiro.
A opção de compra e venda existe como contrato para quem tem uma ação e quer vendê-la num valor estipulado.
Mas a gente comprava só o papel, sem ter ação, para especular com a oscilação do preço.
Às vezes dá certo — muitos enriquecem assim — mas exige habilidade, e também sorte.
Eu era um lobo de Wall Street das Perdizes… e suburbano.
Nessa fase da PUC, existia a famosa prainha — um lugar onde se jogava bola e que parecia quase o local onde estudei na periferia, mas decorado para esse propósito.
Chamava-se prainha porque as pessoas usavam o “mandado” da polícia para entrar lá e fazer o que se faz na praia: abusar de substâncias lícitas e ilícitas, já que a polícia não entrava por decreto.
Era um local de boys que queriam encenar a pose da ECA pública da USP.
Mas eles se elogiavam quando alguém entrava numa grande empresa do mercado financeiro. Quantas vezes ouvi:
“Porra, e aí, cara… J.P. Morgan, em!”
Logo começavam a chamá-lo de “J.P.” — e não mais pelo nome.
Uma das coisas que sempre sonhei — e me ressentiu ter saído da empresa que criei e não ter concretizado — é fazer uma IPO.
Colocar uma empresa na bolsa de valores.
Mas quem sabe um dia… ou em outra vida.
Do que sinto saudades? De jogar bola.
Como as garotas gostavam da competitividade.
Ao chegar cansado e suado, com o suor escorrendo, elas falavam:
“Nossa, vocês gostam de jogar futebol, né?” . E tambem de conversar com as garotas que faziam artes cênicas, cinema, rendeu boas histórias, lembranças e "risadas".
E jogando futebol… eu, um sujeito calmo, doce, gentil, me transformo.
Viro a virilidade em pessoa porque eu não gosto de perder.
Chego forte, chego duro — mas com técnica, elegância, habilidade.
Eu poderia ter sido um Neymar se tivesse a disciplina que tenho hoje.
Um treinador chegou a dizer que, se eu tivesse disciplina, com certeza seria profissional.
Ele achou que ia me motivar? Depois daquilo eu desisti do futebol.
Seria uma oportunidade de ficar rico.
Eu jogava com pessoas mais velhas e me destacava pelo drible, por ser arisco, talentoso.
Diziam:
“Nossa, ele é pequeno, mas dá trabalho.”
E por ser pequeno, eu burlava e jogava na categoria mais nova.
Aí não tinha pra ninguém.
Só joguei campo uma vez — e como é o destino — no Nacional, onde o Palmeiras treinava.
E só por causa disso meu pai se apaixonou pelo time, e me herdou esse amor que carrego até hoje.
No meu cotidiano, do que sinto mais saudades nesse tempo de solicitude (não solidão — tenho poucos, mas amigos muito fiéis) é da turma de jogar bola.
A do curso de inglês, a da faculdade, a do trabalho.
Eu sempre arrumava um jeito de marcar futebol semanal.
Isso é o que mais me faz falta.
Tudo o mais está perfeito.
Então, se eu fosse rico, eu não mudaria nada — porque nada me falta.
Eu só ampliaria as experiências.
Por exemplo: eu só usaria camisas de alfaiate que eu mesmo desenharia.
Tenho várias ideias de looks, peças feitas sob demanda.
Quanto mais ajustado o corte, melhor.
Essa blusa que vocês veem sempre?

A ideia do desenho e das cores fui eu quem deu — e minha mãe tricotou.
Eu faria o mesmo para tudo que eu vestisse.
Carro? Eu não dirijo, mas pelo design eu compraria uma Mercedes sedan, claro.
A Mercedes, para mim, sempre foi menos sobre motor e mais sobre design —
o traço contínuo, a fluidez da carroceria, o equilíbrio entre força e delicadeza.
É a estética que me interessa, não a potência.
SUV é coisa de prepotente.
Para mim, o ideal é morar perto de uma estação de metrô e me deslocar a pé.
Tudo próximo — e ao mesmo tempo longe o suficiente do barulho.
Eu gosto de coisas compactas, mas prefiro casas a apartamentos.
Se fosse ter uma casa, teria um belo quintal, muito verde, onde eu possa ler em paz e ter contato com a natureza.
Um paisagista cuidaria disso.
E, se possível, uma bela vista natural externa.
Academia? Não precisaria ir até ela — ela estaria em casa, na melhor versão possível.
Decoração é essência, considerando a lógica de que objetos não fazem ninguém superior — mas podem refletir a superioridade do seu espírito.
Queria ter, simbolicamente, uma obra original dos artistas que amo: Caravaggio e Salvador Dalí.
Como o menino Totó que vira cineasta, em Cinema Paradiso, eu teria meu cinema particular.
Faria questão de rodar filmes em película original — e dar um jeito de adquiri-las.
Essa é a única questão da qual não abro mão: filmes — porque eu sei que vou desfrutar disso.
E livros.
Acho bonito game room — mas seria supérfluo, porque eu não jogaria.
Luxo de vaidade.
Paixonites têm que ser práticas.
Viagens, sim.
Mas não iria a lugares convencionais.
Não tenho vontade de ir a Londres ou EUA — exceto para ver futebol, basquete e, principalmente, futebol americano.
Na Europa, sim: praias de Portugal, Sevilha, Turim, os Alpes Suíços, Sils Maria para ver a serpente de nuvens, Veneza, os Bálcãs.
Concederia exceção a Paris e Roma.
Viajar — como diz Pierrot le Fou, de Godard — expande o espírito.
Gastronomia, para mim, é arte.
Ir a um restaurante sem ver a conta: uma benção.
A maior forma de ostentação que posso conceber.
Ter os melhores telefones, computadores, iPads… nem conto.
Porque isso eu VOU TER, independente de ser rico ou não.
Se eu fosse rico — muito rico mesmo — meu projeto principal seria criar uma plataforma que reunisse tudo que me formou: minhas paixões, referências e sentidos, num só lugar.
Gratuitamente — mas, como não sou burro, com propagandas pouco invasivas e uma versão premium.
Seria como o “reservatório de dopamina” do Eslen — mas minha versão: cult, refinada, dedicada ao desenvolvimento pessoal que me define.
Haveria aulas dos melhores professores: filosofia, psicologia, sociologia, humanidades — em linguagem didática e acessível (ao contrário do Liceu de Aristóteles; na minha Academia não entra aritmética).
Aulas sobre cinema, história da arte, estética.
E também um acervo de filmes de arte e partidas históricas de futebol, basquete e futebol americano (essas últimas, uma veleidade minha).
Tudo em um só lugar — para o bem da humanidade.