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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

NÃO SOU VAIDOSO. VOCÊ QUE É RELAXADO!

 


 

DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

OS VALORES QUE NOS HABITAM

Nietzsche, além do trabalho monumental de manter aquele bigode, tinha outra preocupação ainda maior: a escolha dos valores que usamos para viver. São esses valores que norteiam nossas decisões mais íntimas, silenciosas e determinantes.

 

Ele critica o fato de que, durante a formação, não escolhemos valor nenhum: apenas herdamos o que vem da família, da comunidade, da cultura, do país, de todo esse ambulatório chamado sociedade. Nada disso nasce em nós — é depositado.

 

Eu mesmo carrego influências francesas, europeias, norte-americanas e, claro, da minha própria família. E, apesar de não parecer o estereótipo de “brasileiro padrão”, o país também moldou meu olhar. O Brasil passou de influência francesa para norte-americana; paga pau pros EUA, faz as coisas “pra inglês ver”, e relegou a França ao rodapé da memória cultural.

 

Eu, não. Eu sempre fui fluido — capaz de habitar ambientes muito diferentes com naturalidade. Do bairro ao centro. Da mesa simples ao ambiente mais sofisticado. Gosto do cinema americano e do europeu, mas, ironicamente, o cinema americano que amo é aquele influenciado pelo europeu. E tudo isso molda meus valores.

 


 

O SER HUMANO COMO “ESTIMADOR”

O grande problema para Nietzsche é que chegamos à vida adulta sem revisar nada. Vivemos com valores herdados, nunca escolhidos. E, para ele, o ser humano é um estimador: alguém que avalia, julga e batiza o mundo com seus próprios critérios.

 

Os maiores valores, para Nietzsche, são aqueles baseados na própria vida, não em mundos imaginários. Ele propõe uma medida belíssima:

 

Você faria o que está fazendo repetidas vezes, se a vida se repetisse como uma fita cassete rebobinada?

 

(Para as jovens que não sabem o que é uma fita cassete: pesquisem no Google ou perguntem aos pais.)

 

Se a resposta for sim, então aquilo vale a pena.

Um beijo inesquecível.

Uma companhia rara.

Uma viagem que suspende o tempo.

Tudo isso seria digno de repetição.

 

Mas também cada lágrima, desconforto, frustração. Por isso é preciso escolher bem o que merece nossa atenção — e os valores são a bússola dessa escolha.

 


 

A BELEZA COMO VALOR MORAL

Dizem que a vaidade é um valor menor. Mas a generosidade também é um valor. E valores não podem ser hierarquizados de fora: cada um pesa o que vive dentro da sua própria vida.

 

 

No asilo, descanso é valor.

No exército, atividade é valor.

Para uns, prazer; para outros, fidelidade; para outros, aventura.

 

Como diz Edgar Morin, valores são complexos.

 

Pessoas vaidosas tendem a desejar parceiros bonitos — e muitos julgam isso como futilidade. Mas não é. Quem é vaidoso sabe o preço da beleza, o esforço para alcançá-la, a disciplina para mantê-la. Beleza não é aparência: é virtude moral.

 

Porque reconhecemos a beleza de um gesto, de um cuidado, de um afeto.

O contrário da vaidade é o descuido.

 


 

O CASAMENTO E DESCUIDO

Tenho a impressão de que isso fica muito evidente nos casamentos.

As pessoas se casam com alguém, mas passam a vida com outra — porque uma das partes se descuida.

 

Eu sempre achei que esse comportamento seria mais comum entre solteiros. Mas não: muitos homens casados negligenciam o básico. Higiene. Cheiro. Cuidado com o corpo. E, principalmente, o acúmulo de gordura que denuncia um estilo de vida indolente.

 

Para mim, isso é falta de amor — consigo e com a parceira.

 

E vale para a mulher também.

Ter filhos não é desculpa para abandonar a própria feminilidade.

Não é porque ela se tornou mãe que deixa de ser mulher.

De ser atraente. Desejável. Sensual.

 

Veja a Virgínia com três filhos — e, sim, com estrutura para isso. Mas o princípio permanece:

se há amor, um quer estar bem para o outro.

 

E o parceiro certo oferece motivo para ela florescer, não para murchar. Uma mulher que se descuida revela ausência de estímulo. Uma mulher que se cuida enquanto o marido não… revela outra coisa ainda mais perigosa: ela está se arrumando para outro olhar.

 


 

O ESTÍMULO QUE EU OFEREÇO

Do que depender de mim, jamais deixarei que quem eu gosto se entregue ao abandono.

Jamais deixará de ser mulher para ser apenas mãe.

Pode ser as duas coisas — e muito mais.

 

Eu não faço juízo de valor sobre os outros.

Falo de mim.

Das minhas paixões.

Da forma como vivo e como cuido.

 

Fofoca nasce do vazio. Revela alguém que acha mais graça na vida alheia do que na própria.

Eu prefiro falar daquilo que preenche.

 

Prefiro revisitar o que importa.

Prefiro viver — e repetir — só o que vale a pena.

 



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ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 24/11/2025
Alterado em 24/11/2025
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