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Feche os olhos.
Respire fundo.
Agora, imagine a presença da pessoa cuja companhia você mais deseja nesse instante (eu tenho a minha) — aquela que te atravessa em silêncio, que te toca sem as mãos, que acende você de dentro para fora, aquela cuja simples lembrança já muda o ritmo do seu coração.
Imagine que vocês dois estão em uma pequena doceria. Um lugar aconchegante, cheio de charme francês, mas com aquela alma de bistrô italiano, onde tudo parece mais íntimo. Vocês se sentam lado a lado — perto o bastante para sentir o calor um do outro, longe o bastante para que o desejo tenha onde crescer.
Pense na sensação dessa companhia.
O coração acelerado, mas calmo.
O frio na barriga, mas todo o resto quente.
E aquela sutileza no olhar — o instante em que vocês se encaram e algo dentro de você se inclina para ele.
Agora imagine que, sem aviso, ele repousa a mão sobre a sua coxa.
Um toque natural. Necessário.
Intenso na medida exata.
Sua pele responde primeiro; a respiração, logo em seguida.
E então — o gesto que você pediu para manter — ele ousa um pouco mais:
A mão dele desliza devagar para debaixo do seu vestido.
Não tocando direto — ainda não — mas pairando a milímetros da sua pele e finalmente repousando.
Quente.
Atenta.
Querendo.
Ele te olha nos olhos enquanto faz isso.
E você sente o rosto corar, aquele rubor bonito que entrega tudo sem dizer nada.
Para quebrar a tensão, ele pega um doce.
Morde primeiro, lento, já te olhando com intenção.
E te oferece:
— Quer?
Você responde que sim.
Ele aproxima o doce dos seus lábios como quem oferece um morango num filme, observando cada detalhe — o modo como você morde, a textura, o creme que escorre devagar.
Um fio de chocolate cai no canto da boca.
Ele sorri, aproxima-se, limpa com o guardanapo…
“Aqui. Você se sujou.”
Um piscar de olho.
E o olhar dele desce para sua boca — só por um segundo — mas o suficiente para incendiar.
Fim do exercício.
A lição de casa é da leitora: completar o que acontece depois, do jeito que o corpo pedir.
Vocês voltam para casa.
O cansaço é bom, aquele cansaço de quem viveu algo bonito.
Ele boceja no banco de trás, a cabeça pendendo até encontrar seu ombro como se sempre tivesse pertencido ali.
Você sente o corpo dele relaxar.
Sente a respiração desacelerar.
E sente algo quente dentro de você: acolhimento, ternura, destino.
Instintivamente, você apoia a cabeça de leve sobre a dele.
Uma das suas mãos encontra os cabelos dele — gesto pequeno, mas inevitável.
Assim, encostados um no outro, vocês adormecem.
Fim do exercício.
Fim do texto.
Mas não — nunca — o fim da história.
Porque ela está apenas começando.