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Este texto nasce do documentário extraordinário da Apple TV sobre a vida cinematográfica de Martin Scorsese — uma obra tão rica que ainda vai me render dois ou três textos, mas isso fica para depois. O que importa agora é falar sobre a maior remuneração possível para quem cria algo belo, mágico, luminoso.
Há um momento simbólico na carreira de Scorsese: logo após o sucesso monumental de Taxi Driver, que lhe rendeu a Palma de Ouro, ele filmou The Last Waltz (O Último Concerto de Rock), o documentário musical sobre a última turnê da banda The Band. Um filme gigantesco, com um roteiro técnico de mais de duzentas páginas, apenas com orientações de planos, câmeras, movimentos — em uma obra sem diálogos encenados.
Seria natural imaginar que, após tanto sucesso, Scorsese cobraria uma fortuna. Mas ele enlouqueceu seu agente ao dizer que não cobraria nada. Absolutamente nada.
Porque aquele trabalho, para ele, era um gift. Uma benção. Um chamado. Quando algo nos toca profundamente, cobrar se torna quase um insulto. Ainda mais dinheiro. A beleza do processo já é recompensa suficiente — o aprendizado, o gesto, o nascimento de algo eterno.
E, de certa forma, também é assim comigo. Mas a minha maior recompensa não está no que crio — mas no efeito que a criação provoca. O resultado mais explícito, mais puro e mais incontornável é o seu sorriso.
Me perdoe, Scorsese, mas um sorriso espontâneo é algo que ninguém pode fingir, encenar ou dirigir. Alegria verdadeira se parece com uma risada inesperada… ou com um orgasmo leve, silencioso, de alma. Saber que talvez eu fui o motivo dessa alegria — desse prazer em forma de sorriso — é o meu gift, minha benção, minha fortuna.
Apenas continue sorrindo, e eu serei, em breve, o homem mais rico do mundo — milionário em algo que faria Elon Musk passar vergonha. Por que o que é o dinheiro dele diante do seu sorriso? O que é o brilho do ouro diante do brilho dos seus lindos olhos escuros, que, unidos ao preto do seu cabelo, formam uma beleza que palavra alguma é capaz de capturar?
Felizmente, inventaram as câmeras fotográficas. E, graças a elas, ainda que como sombra, eu posso ter exatamente a remuneração mais bela — a única que realmente desejo:
o seu sorriso.
E, por isso, me sinto tão absurdamente rico.
Mesmo sem te tocar, só pela tua inspiração, eu seria capaz de te fazer sentir como a mulher mais feliz e mais sortuda do mundo — pode apostar. E única. Porque essas características estão intrinsecamente dentro de você, eu só as trago a tona ao escrever sobre elas.
Querer te tocar seria como tentar tocar a essência etérea e incorpórea da poesia. Vocês, mulheres assim, são para ser sentidas por todos os sentidos — pela alma que se reflete no corpo.
Eu não preciso te tocar para te sentir, plenamente, em todo esplendor de sua beleza; diante dela, as minhas palavras - e quaisquer outras - se tornam pequenas.*
Amosto-te muito.
*Mas que eu gostaria, gostaria 😞