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"Nada é tão pequeno que não revele alguma coisa." — Freud
"Coincidências são encontros significativos entre eventos físicos e estados internos." — Jung
Desculpe, talvez a palavra amor seja inapropriada — e, ao mesmo tempo, a única possível. Não encontrei outra que exprimisse a mistura de reciprocidade, gentileza e delicadeza que recebi. E se amor, no sentido literal, não é o que descreve o gesto, então certamente é o que descreve aquilo que senti — por mais de dez anos — e que, de algum modo, ainda me atravessa. Talvez eu o tenha sublimado, como diria Freud, transformando-o em beleza, arte, rotina.
Durante esse tempo, o que faltou não foi intensidade — foi reciprocidade. Em seu lugar, muitas vezes, vieram distâncias, palavras duras, julgamentos, apesar de nunca frieza ou desprezo. E mesmo assim, como cantam os Beatles, no final o amor que você dá é igual ao amor que você recebe. Demora, às vezes. Chega torto, oblíquo, inesperado — mas chega.
E chegou agora, anos depois, num gesto sensível, delicado, belo — com a finesse que reflete quem ela é. Um gesto que confirmou aquilo que meu coração sempre intuía, mas nunca havia sido comprovado: que entre nós existe um tipo raro de sintonia. Não de desejo físico — talvez — mas de respeito, admiração, compreensão, espiritualidade. Coisas de alma, ou de personalidade; ou de corpo, se quisermos ser materialistas. Mas, seja qual for o caminho, são forças que se entendem.
Houve, nesse gesto, um clarão simbólico. Um pequeno choque de magia: contraste perfeito entre pureza, afeto e encanto. Um gesto que me fez entender o nosso lugar, e o meu no seu universo.
Sócrates disse que tudo que aprendeu sobre o amor veio de uma mulher. Comigo não é diferente. Mais uma vez, aprendi com o feminino — que fala não apenas pela voz, mas pelo gesto, pela postura, pela escolha, pela imagem. A linguagem do afeto não é oral: é simbólica. E quando é verdadeira, torna-se mais eloquente do que qualquer poema.
E há tanta beleza nessa imagem que nenhuma língua alcança. Mesmo que eu fosse o maior poeta que já pisou na Terra, eu não conseguiria retribuir, em palavras, o encanto que ela me trouxe. Porque certas fotografias não são registros: são revelações.
Vou guardar essa imagem com carinho na memória (só nela, será?) — como quem guarda um souvenir de uma viagem mágica que alguém fez e, no meio do sonho, lembrou-se de mim. Não sei se você percebeu, mas esse é um gesto de afeto profundo: incluir alguém no próprio encantamento.
Por isso, confesso: não tenho palavras suficientes para expressar minha alegria. A linguagem falha. É limitada. Se eu terminasse dizendo “te amo”, seria impróprio para nosso tipo de relação, pelo menos até aqui. E se eu encerrasse com simplesmente um “gosto muito de você”, seria um eufemismo tímido demais para aquilo que sinto.
Não existe, em português — ou em língua alguma — uma palavra que exprima exatamente o que quero dizer. Então me permita inventar uma.
Com muito carinho — e algo a mais que só você despertou —
te amosto, my sweetheart.