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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

50 TONS DE DAVE (NÃO GRAY)

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

OS TONS QUE NÃO SÃO DE GREY

É claro que eu nunca li o livro, nem assisti ao filme. Se tenho um dom, é o do bom gosto — a incapacidade quase biológica de perder tempo com histórias ruins.

 

Mas não sou alienado. Sei do que se trata: Dakota Johnson hipnótica, Christian Grey cinza demais para meu gosto… e essa estética do “controle” que nunca me seduziu.

 

Mas existe algo curioso nesses chamados “tons”. Algo que não está nos romances nem nos filmes — está nos olhares.

Os olhares não mentem. Os quadris também não.

 

E, às vezes, é impossível não perceber as colegiais que olham demais, aquelas que ainda não aprenderam a dissimulação de Capitu, que ainda não dominam a arte da distância. É um olhar cru, prematuro, sem filtro — e por isso mesmo, completamente impróprio para qualquer homem que já viveu de verdade.

 

Não é por falta de vontade. Nem por falta de maturidade delas — afinal, parece mesmo que colocam whey protein nas mamadeiras hoje em dia. Mas existe algo que não muda: a experiência.

E experiência, meu caro, é assimétrica.

 

E seria injusto com elas. Injusto principalmente no fim. Não porque “não teriam maturidade para amar” — muitas têm — mas porque ninguém com tão pouca história tem maturidade para um rompimento

 


 

A NATUREZA, A LITERATURA E O MUNDO

Não sou moralista. Nunca fui. A idade biológica do corpo e a idade emocional do desejo não seguem o mesmo calendário social — isso é evidente desde que existe humanidade.

 

Não fui eu quem escreveu Lolita.

Não fui eu quem escreveu Cem Anos de Solidão, onde o Coronel Buendía se apaixona por Remédios, “a Bela”, ainda menina.

Não fui eu quem contou que Sherazade tinha treze anos, a mesma idade de Julieta, quando foi escolhida para mudar o destino de um reino.

 

Eu não digo que isso seja certo.

Digo apenas o óbvio: é assim que a natureza humana funciona — antes das regras, antes da moral, antes das nossas teorias modernas.

 

Eu mesmo, aos onze anos, já entendia a beleza do sexo oposto. Era instinto, convivência, curiosidade — nada mais.

 

Afinal, eu poderia dizer que gosto de mulher igual a minha bebida, cowboy: pura, sem nada e 16 anos. Mas eu não bebo.

 

Mas isso não determina nada. A vida adulta exige outra coisa: consciência.

E consciência, hoje, me coloca num outro momento. Não procuro nada. Só recebo o que o destino decide trazer. Sem forçar, sem puxar, sem procurar.

 


 

OS LIMITES DO COTIDIANO

É por isso que não fico — salvo raríssimas exceções — com pessoas do meu bairro.

E menos ainda em lugares onde preciso estar todos os dias, como a academia.

 

A pessoa saber onde me encontrar, saber meus horários, imaginar minha rotina inteira… e depois um de nós não querer mais ver o outro?

Isso sim seria um pequeno inferno logístico e emocional.

 

Bloquear alguém distante é simples, quase humanitário.

Terminar com alguém que frequenta os mesmos lugares que você… não.

 

Então, quanto mais longe da minha vida basal, melhor.

Distância é poda emocional.

É cuidado.

É maturidade.

 

Salvo, claro, raríssimas exceções.

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 15/11/2025
Alterado em 15/11/2025
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