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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

TODOS — E NINGUÉM — SABE O QUE ESCREVO

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

As pessoas enxergam o mundo — e os outros — através do brilho dos próprios olhos. Quem cruza comigo costuma ver primeiro a superfície: alguém que parece ter nascido em 2001, não em 1991 (igual ao meu instagram. Melhor ano do rock. Não que eu tenha nascido em 91, claro); atlético, disciplinado, de baixa gordura corporal; alguém que cuida do corpo, do estilo, do olhar.

 

Elas também leem em mim uma inteligência discreta, uma melancolia leve de quem já viveu, refletiu e leu bastante. E, claro, percebem que estou sempre escrevendo — ainda que eu faça isso com pudor, porque para mim ler, ver filmes e escrever é um ritual íntimo, reservado, quase sagrado.

 

Mas a vida exige flexibilidade. E, nesta fase, escrevo até na esteira: uno o útil ao agradável. Caminho, treino, penso, escrevo — e aposto. Porque tudo na vida é aposta. Apostamos sempre na mesma direção: a nossa felicidade.

 

E eu jamais apostaria contra mim.

 


 

POR QUE ESCREVO

Eu sei exatamente o que precisa acontecer: cinco anos de foco absoluto para resolver a minha vida inteira. E, nesse processo, escrever é meu respiro — minha forma de compreender o mundo, ressuscitar perguntas antigas, revisitar dores que me transformaram.

 

É assim desde que a filosofia nasceu: o homem, quando viu suas necessidades atendidas, olhou ao redor e pensou: “Por que estou aqui? O que é o belo? Por que aquilo que eu mais amo às vezes me rejeita?”

 

E foi exatamente dessa interlúdio — entre o amor e sua ausência — que nasceram a filosofia, o mito, a literatura. E aqui estou eu: parte de uma linhagem antiga de homens que pensam demais e sentem tudo ao mesmo tempo.

 


 

A FINA ARTE DE ESCREVER PARA UMA SÓ PESSOA

E preciso confessar uma verdade que poucos imaginam.

 

Mesmo escrevendo num pequeno site de literatura escondido numa viela silenciosa da internet, saio do dia com cerca de cem leituras. É bonito, alimenta o ego, parece que estou falando com o mundo.

 

Mas, para ser honesto, apenas uma leitura realmente importa.

 

É para ela que escrevo. É nela que penso. É o olhar dela que imagino descansando sobre cada linha.

 

Escrever sobre o coração — sobre amor, afeto, destino — irrita metade dos leitores, que preferem meus textos sobre cinema, filosofia e cultura. Tudo isso eu domino. Tudo isso eu poderia entregar.

 

Mas não entrego sempre. Porque quando escrevo sobre alguém, faço uma escolha: a escolha de não ser lido por muitos, mas por uma pessoa em especial.

 

Se fosse eu no lugar dela — se fosse sobre mim que alguém escrevesse — eu valorizaria isso profundamente. Porque escrevo exatamente o tipo de coisa que eu mesmo gostaria de ler de alguém. Coisas que faltam no mundo. Coisas que poucas pessoas têm coragem de dizer.

 

E talvez seja por isso que eu continuo.

 


 

O DIÁRIO QUE NÃO É DIÁRIO

Minha mãe, meus irmão, meu pai — todos sabem que eu escrevo. Mas ninguém sabe o quê. As pessoas imaginam muita coisa: que eu trabalho com isso, que ganho algo, que é sobre filosofia, cultura, política.

 

Ninguém acerta. Ninguém chega perto.

 

Quem sabe são só três tipos de pessoas: quem caiu aqui por destino, os recantistas que me acompanham, e uma pessoa específica — a única cujo olhar realmente me move.

 

Eu nunca divulguei meu site. Nunca mandei link para ninguém. Escrevo escondido. Protegido. Livre.

 

Se alguém chegou até mim, foi porque deveria.

 


 

OS CAMINHOS QUE NÃO CONTROLO

Eu até tento manter tudo em sigilo. Mas é impossível controlar o sorriso de uma mulher — aquele brilho inesperado no meio do dia. Ela sabe de onde veio. Eu sei que ela sabe.

 

Mas guarda para si. E isso também faz parte do mistério.

 


 

O COMBUSTÍVEL DA PALAVRA

No fim das contas, o que escrevo aqui é sempre um pacto: entre o que vivi, o que senti, e o que ainda não sei nomear. É um gesto de coragem silenciosa, um modo de dizer sem dizer, um rastro de afeto que deixo para alguém encontrar — se quiser.

 

Porque, por trás de todos os leitores, há sempre a mesma verdade: eu escrevo para uma pessoa só. E ela nem imagina o quanto isso torna tudo mais bonito.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 15/11/2025
Alterado em 15/11/2025
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