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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

O PRIMEIRO SONHO QUE EU TIVE NA VIDA FOI AMAR

 


DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 


 

INFÂNCIA: O PRIMEIRO DESEJO

Eu era uma criança muito estranha à minha maneira.

Enquanto outras diziam que queriam ser médicas, astronautas ou jogadores de futebol, eu — pequeno, franzino, meio deslocado no mundo — dizia que meu sonho era me apaixonar.

De viver um grande amor.

 

Eu tinha visto num filme e achei bonito demais para não desejar.

Depois aprendi a ler e escrever — e desde então leio e escrevo sobre esse mesmo sonho: amar, ser tocado por alguém, atravessar a vida pela beleza de um outro rosto.

 


 

A ESPUMA DOS DIAS

Sempre que penso nisso, lembro de A Espuma dos Dias, de Boris Vian.

E ainda mais do filme — belíssimo — dirigido por Michel Gondry, protagonizado pela maravilhosa, esquisita e encantadora Audrey Tautou, a eterna Amélie Poulain.

 

Gondry tem essa característica rara: faz cinema com mãos humanas. Ele quem fez o Brilho Eterna de Uma Mente Sem Lembranças.

Tudo é artesanal, quase infantil, como se o mundo fosse construído à manivela.

Foi ele quem dirigiu o clipe “Around the World”, do Daft Punk — um dos melhores exemplos dessa estética manual, sensorial, quase lúdica.

 

Quem não viu o filme, e não tiver tempo, eu lamento.

Mas vale ao menos conhecer esse olhar.

 


 

O AMOR SEGUNDO COLIN

No filme, tudo é jazz, Duke Ellington e um universo enviesado — reconhecível, mas ampliado.

Há o amigo viciado em “Partre” (ou Sartre), vendendo tudo para comprar o filósofo.

Há Colin: rico, aristocrata, cercado de todas as coisas… menos uma.

 

Ele não tinha um amor.

E, assim como eu, ardia de vontade de se apaixonar.

 

Até que conhece a personagem de Audrey Tautou.

E, por um instante, o mundo de Colin acontece: ele realiza o sonho.

 

Até que algo estranho, triste e poético demais acontece…

 


 

A FLOR NO PEITO

Uma flor nasce no peito da mulher amada.

E, como toda flor em história trágica, ela começa a roubar a saúde dela.

Flores são vaidosas, delicadas, exigentes: tomam a força da mulher que as carrega.

E Chloé — linda, frágil, luminosa — começa a morrer.

 

Colin faz tudo o que pode:

vende o que tem, pede emprestado, gasta suas últimas forças e seu último centavo para salvar o amor que encontrou tarde demais.

 

Mas a flor vence.

E, com ela, o mundo perde as cores: a fotografia passa de leve, colorida, encantada… a um preto e branco duro, quase chumbo.

É a tradução perfeita daquilo que o amor, quando ferido, pode fazer:

descolorir o mundo.

 

As espumas dos dias vão embora.

E com elas, a alegria.

 


 

A REALIDADE — FELIZMENTE — NÃO É ASSIM

Ainda bem que esse é só um filme.

Na vida real, flores não nascem no peito de ninguém.

 

O que permanece verdadeiro é outra coisa:

eu continuo lendo, escrevendo e sonhando com o amor.

 

Não porque sou ingênuo — mas porque esse sempre foi o meu primeiro sonho.

E, de certo modo, o mais teimoso.

 

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 14/11/2025
Alterado em 14/11/2025
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